Hoje os idosos correspondem a 12% da população de Bauru. Em 15 anos, serão 17% dos moradores da cidade. E, com a idade, vem a aposentadoria. Em dezembro passado, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pagou 69.235 benefícios na cidade. O Sindicato dos Aposentados de Bauru calcula que cerca de 44 mil desse total são aposentados. Mas para aproveitar a vida de aposentado, para realizar projetos para os quais não se tinha tempo por causa do trabalho e dos filhos, como viajar, dedicar-se a atividades culturais, além de saúde, é preciso ter planejamento para não sofrer com a queda de renda.
Esse foi o caminho trilhado por Ubaldo Benjamim, conselheiro do Conselho Municipal da Pessoa Idoso, para não depender da solidariedade de filhos, amigos e parentes. Aposentado há 18 anos, ele ganha cerca de três salários mínimos (R$ 1.530,00) por mês e afirma viver muito bem e, muitas vezes, gastar mais do que ganha. Como? Economizando e organizando desde cedo. Hoje, no Dia do Aposentado, é a dica para quem é economicamente ativo.
Ao ingressar no mercado de trabalho, com um salário considerado bom para os parâmetros da economia atual, o trabalhador deve traçar metas e ir em busca da casa própria, do carro, entre outros bens materiais. Benjamim fez esta opção e, desde cedo, se preocupou em manter uma poupança para o futuro, ciente de que ao se aposentar, a renda diminuiria. Sem gastos com aluguel, prestação de carro, entre outras dívidas, hoje ele aproveita a vida de aposentado sem dor de cabeça, podendo até se dar o luxo de um mês ou outro gastar mais do que ganha graças à poupança.
“Quando ainda trabalhava, soube fazer economia. Isso é fundamental, pois o futuro é incerto. Por isso, precisamos reservar e planejar as despesas que poderão vir com doenças, com os medicamentos que se tornam necessários com a idade e até mesmo com plano de saúde”, revela Benjamim que foi presidente do Conselho Municipal do Idoso por dois mandatos, entre 2002 e 2006, e conselheiro titular do Conselho Estadual do Idoso. “Com isso hoje vivo muito bem: viajo bastante, participo de atividades culturais, de lazer. Aproveito a vida de aposentado”, acrescenta.
Outra dica de Benjamim para uma terceira idade produtiva é a volta ao trabalho, mas não visando lucro, e sim resultados sociais. Quando se aposentou e não exercia nenhuma atividade, ficou deprimido, sem saber o que fazer. “Depois que me dediquei às causas sociais participando como voluntário, mudei de vida. Hoje faço as atividades do Sesi, do Sesc, da USC, tudo que me faz sentir melhor. Ganho pouco, mas esse pouco sei aproveitar”, afirma. “O aposentado não pode ficar em casa, isolado. Ele deve sair, fazer novos amigos e ajudar o próximo, isso é muito gratificante”, complementa.
Segundo dados do Sindicato dos Aposentados de Bauru, hoje existem cerca de 44 mil aposentados na cidade. Para o secretário geral da instituição, Carlos Delfino da Silva, eles ainda estão com o salário defasado.
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Qualidade de vida
Uma pesquisa realizada pela Associação Americana de Psicologia comprova a melhoria na qualidade de vida dos idosos que trabalham. A publicação mostra que os aposentados que apostam em emprego de transição desenvolvem menos doenças em relação aos que param completamente. Para chegar a essa conclusão, Mo Wang, da Universidade de Maryland, e seus colegas analisaram os dados de 12.189 pessoas, com 51 a 61 anos no início do estudo. Todos foram entrevistados, a cada dois anos durante um período de seis anos, sobre saúde, finanças, trabalho e vida de aposentado.
Os pesquisadores levaram em conta problemas como hipertensão, diabetes, câncer, doenças pulmonares e cardíacas, derrames e distúrbios psiquiátricos. Os resultados mostraram que os que se mantiveram ativos com funções temporárias ou de meio período apresentaram menos índices dessas patologias quando comparados aos totalmente aposentados.