Lideranças políticas de Bauru têm opiniões distintas quando o assunto é a distribuição de votos aos candidatos que não são da cidade. Enquanto uma parte defende que essa prática faz parte do jogo democrático, outra lamenta a preferência de uma parcela do eleitorado por candidatos que, aparentemente, não têm vínculos com o município. Há quem aprove essa atitude e quem desaprove a qualidade dos candidatos locais, atribuindo a isso a fuga dos votos.
“O voto é do eleitor. Temos de respeitar”, frisa o vereador Marcelo Borges (PSDB). Segundo ele, é importante que a cidade tenha representantes na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional, mas, às vezes, os eleitores acham que os candidatos locais não estão preparados para isso. O tucano lembra também que muitos eleitores votam em candidatos que representam setores da sociedade da qual fazem parte. Inclui-se aí candidatos de igrejas, sindicatos, categorias profissionais e entidades sociais, que nem sempre residem em Bauru. Na opinião do vereador, voto é um posicionamento ideológico do eleitor. Se ele não encontra um candidato na cidade que compartilha das mesmas ideias, vai procurar em outro lugar.
Para o vereador Moisés Rossi (PPS), parte das dificuldades vividas atualmente pela cidade deve-se ao fato de Bauru não ter forte representatividade na Assembleia e no Congresso. Segundo ele, a pulverização dos votos é um dos grandes responsáveis pela falta de parlamentares bauruenses. “É uma pena quando lançamos muitos candidatos porque, assim, não conseguimos eleger ninguém”, observa.
O também vereador José Roberto Segalla (DEM) atribui a baixa representatividade política de Bauru à falta de qualidade dos candidatos. Segundo ele, a partir do momento em que a cidade lançar nomes de qualidade para disputar os cargos eletivos na Assembleia e no Congresso Nacional, o eleitor vai responder positivamente.
O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), por sua vez, defende o sistema distrital para as eleições. Na opinião dele, isso tornaria a disputa regional e facilitaria o contato entre eleitor e eleito.
O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) é outro que defende a centralização dos votos em candidatos da cidade.
Ele lembra que existem questões de ordem ideológica que influenciam na hora de votar, mas é sempre importante ter representantes da cidade em São Paulo e em Brasília.