Internacional

Brasil vai dobrar ajuda ao Haiti


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Porto Príncipe - Um dia após o Brasil ter promovido um grande evento midiático de distribuição de alimentos para as vítimas do terremoto da semana passada, o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) afirmou ontem em Porto Príncipe que o país não está preocupado com a liderança no processo de reconstrução no Haiti.

“Ao contrário do que a mídia pode pensar, o Brasil não está preocupado com liderança regional, mas sim em ajudar o Haiti, com respeito aos mandatos internacionais e ao governo do Haiti’’, afirmou.

Anteontem, o contingente brasileiro da Minustah, a força de paz da ONU, promoveu a entrega de dez toneladas de alimentos em frente ao palácio presidencial, com exibição de nove blindados e várias bandeiras do Brasil. A ação foi uma reação ao crescimento da visibilidade de soldados norte-americanos no país.

Amorim chegou pela manhã à cidade, onde passaria o dia em reuniões com autoridades do governo do país e lideranças da Minustah, cujo componente militar é comandado pelo Brasil. Ao contrário do que havia sido anunciado, Amorim não foi recebido pelo presidente René Preval, mas pelo premiê, Jean Max Bellerive.

O chanceler anunciou que dobrará a ajuda humanitária de emergência para uma primeira etapa da reconstrução do país. O montante passaria de US$ 15 milhões para US$ 30 milhões. Também disse que os brasileiros ajudarão na formação de novos funcionários para o governo do Haiti, para substituir os que morreram na tragédia.

Decisão ‘dolorosa’

Ontem, o governo do Haiti decidiu encerrar a etapa de busca e resgate de sobreviventes do terremoto, disse a porta-voz da ONU para assuntos humanitários, Elisabeth Byrs. Segundo ela, 132 pessoas foram resgatadas desde o início das operações. A contagem oficial de mortos já passa dos 110 mil, de acordo com o ministro do Interior do Haiti.

A “dolorosa’’ decisão de encerrar os resgates, segundo ela, foi tomada com base na orientação de especialistas. Entidades vinham alertando que o número de mortos poderia ser ainda maior caso os feridos não recebessem atenção médica adequada a tempo.

Segundo Byrs, a maior parte das equipes de busca e resgate está agora deixando o Haiti. Devem ficar apenas aquelas que ajudarão na limpeza e na distribuição de ajuda. “Isso não significa que o governo vai impedir as buscas de acontecerem. Em casos em que houver o mínimo sinal de vida, as equipes agirão’’, disse Byrs. Mas acrescentou: “Exceto por milagres, a esperança está desaparecendo’’.

O anúncio do fim das buscas ocorre um dia após duas pessoas - uma mulher de 84 anos e um homem de 21 - terem sido resgatados vivos dos destroços em Porto Príncipe.

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Êxodo

Porto Príncipe - Relatório veiculado ontem pela Ocha (braço humanitário da ONU) aponta que o número de pessoas que está abandonando Porto Príncipe cresce a cada dia. Mais de 130 mil pessoas já se aproveitaram do transporte gratuito oferecido pelo governo e se mudaram para as cidades do norte e sudoeste do Haiti.

O organismo estima que o número de pessoas que estão deixando as áreas urbanas em direção à zona rural possa atingir 1 milhão, o que deve aumentar a pressão sobre comunidades já vulneráveis.

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