Bairros

Aposentadoria: o merecido descanso

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Eles cumpriram a sua parte e nada mais justo do que o merecido descanso. Assim como acontece com a famosa aposentadoria alcançada pelos brasileiros após anos de serviço, os cães e cavalos que integram o time do Canil da Polícia Militar e o Destacamento Montado de Bauru também se aposentam.

Para os cachorros, a gratificação acontece aos 8 anos de idade ou quando por trauma físico ou psicológico que o deixa impossibilitado de trabalhar. “Oito anos do cachorro correspondem a cerca de 60 anos para o homem, então não tem porque exigir mais do animal, ele já fez a sua parte”, analisa Eliete Aparecida Tavares Ramos, subtenente policial militar, responsável pelo Canil.

Mas ainda que existem casos em que a aposentadoria é antecipada. “Já aconteceu do cão ficar traumatizado em uma ação e não conseguir mais trabalhar, então o aposentamos”, completa.

O destino dos heróis geralmente é a casa do policial para o qual ele trabalhou como fiel escudeiro. “Penso que nem poderia ser diferente, ficamos tão apegados ao cão que não faz sentido abandoná-lo, exceto os casos em que o policial não tem condições de mantê-lo”, diz o soldado policial militar João Batista Rodrigues Neto, que atualmente treina três animais.

Já para os cavalos, o tempo de serviço é bem maior, geralmente eles são dispensados da labuta quando alcançam média de 25 anos de idade e já não correspondem mais às expectativas do Destacamento.

“Quando eles atingem esta idade começam a dar sinais de cansaço, passam a ter dificuldades para caminhar e dobrar os joelhos. Claro que alguns animais apresentam desgaste físico bem antes e por isso são afastados”, argumenta Carlos Almir Boaventura, segundo sargento policial militar e responsável pelo Destacamento.

Ao contrário do que acontece com os cães, os cavalos raramente são doados à policiais. “Via de regra eles são encaminhados ao Instituto Butantan, em São Paulo, onde eles são utilizados na produção de soro antiofídicos”, aponta Boaventura.

Em comum, cavalos e cães dificilmente se acostumam com a nova rotina que se resume a sombra e água fresca. “Tenho uma cachorra aposentada, mas não posso parar com a viatura em frente à minha casa que ela já quer pular dentro do carro para trabalhar”, conta Ramos, entre risos.

Na cavalaria a brincadeira é a mesma. “Recentemente tivemos dois policiais que receberam autorização para ficar com os cavalos. A gente comenta que é bem capaz deles ficarem próximos à cerca da fazenda olhando os carros passarem”, brinca Boaventura.

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