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Uma escola para todos

Gisele Scalise de Camargo Verdinasse
| Tempo de leitura: 2 min

Falar de educação especial ou inclusiva de certa maneira para nós, educadores, comumente nos deixa ansiosos. Como educadora, acredito na formação do sujeito despertando interesses diversos , pois lidar com as diferenças nos faz conhecer e despertar aprendizagens muitas vezes significativas para nós mesmos, afinal, os alunos também têm muito a acrescentar. Mas em se tratando de educação especial, não podemos deixar de lembrar da individualidade de cada um, de suas particularidades e de como lidar com isso. Todo educador preocupado em desempenhar suas funções tem que se preparar para lidar com essas situações e muitas vezes correr atrás mesmo de formação, pois deve saber fomentar situações de aprendizagens que assegurem essa aprendizagem para todos. Muitas vezes a falta de preparo desse profissional torna-se esse compromisso fragmentado e não se consegue, assim, desmontar esteriótipos e acabamos, sem perceber, excluindo aqueles capacitados a aprender.

Trabalhar a desmistificação das deficiências, lidar com a diferença, trabalhar a ansiedade dos professores e de alunos que tentam entender as limitações de cada ser e conquistar também a superação de limites que todos, de uma maneira ou de outra, enfrentam como seres aprendentes. Limitações não significa incapacidade de aprender. O termo inclusão talvez seja ainda mal explicado e entendido. Essas discussões são norteadas por incertezas, mas ela está aí, temos que lidar com a situação e essa situação não envolve só o professor e sim toda uma sociedade pensante e preocupada em realmente incluir e não excluir aqueles que, como nós, precisam aprender e também tem o que ensinar.

Essa educação desejada deve ser racional. Não podemos apenas aceitar esses alunos matriculados na escola para falarmos que trabalhamos numa escola inclusiva, não se trata de assistencialismo. O compromisso de todos numa escola inclusiva passa por processos de transformações. Nosso compromisso é o de “transformar”, respeitando as limitações e dificuldades de todos numa instituição de ensino e levar mais tempo para aprender algo não significa impossibilidade de aprender e nem por isso o educador deixa de ser educador. Todos aprendem com as diferenças. Esse processo é lento, apesar de muitas mudanças já estarem acontecendo. Uma escola inclusiva onde todos aprendem e são respeitados é, sim, dizer que existe educação para todos.

A autora, Gisele Scalise de Camargo Verdinasse, é pedagoga, psicopedagoga institucional, atualmente vice-diretora da Rede Pública Estadual em Birigui

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