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Semma já coleta isopor e óleo usado

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 5 min

Nos últimos meses, Bauru vem registrando um crescimento expressivo na coleta seletiva de lixo. Entre 2008 e 2009, o volume anual de materiais recolhidos pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) subiu de 877.245 toneladas para 1.389.829 toneladas - o que representa aumento de 58%, no período. O preço pago pelos recicláveis, que havia caído bastante com a crise econômica mundial, também subiu. E o serviço de coleta seletiva passou a recolher materiais que antes não tinham como ser aproveitados na reciclagem, caso do óleo de cozinha usado e do isopor.

Atualmente, o isopor é vendido a R$ 1,00, o quilo. O quilo da garrafa PET, por exemplo, vinha sendo vendido a R$ 0,45, ao passo que hoje é cotado a R$ 0,95 na Cooperativa dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis (Cotramati), no Jardim Redentor.

A partir da metade do ano passado, a economia brasileira voltou a dar sinais de expansão. Com a retomada da produção, muitas empresas voltaram a investir em matérias-primas, fazendo com que o valor dos recicláveis subisse. Apesar desse aumento de preços, a cotação de muitos produtos ainda se encontra abaixo dos níveis de 2008, quando o quilo da garrafa PET chegou a custar R$ 1,45.

Na opinião do diretor de ações e recursos ambientais da Semma, Sidney Rodrigues, o fato de os depósitos particulares pagarem preços muito baixos fez com que muitos coletores deixassem de buscar recicláveis de porta em porta. Isso levou as pessoas a direcionarem tais materiais à coleta seletiva da Semma.

Além do mais, a secretaria reformou os veículos utilizados na coleta. “Até um tempo atrás, contávamos apenas com três caminhões, sendo que apenas um era novo. Os demais eram antigos e viviam dando problema. Um foi fabricado em 1978, para você ter ideia”, explica Rodrigues.

Ano passado, os velhos caminhões receberam peças novas e várias melhorias na parte mecânica. A Semma também reformou um quarto veículo, que costuma ficar guardado no pátio da secretaria para algum caso de emergência (se alguma das outras viaturas tiver problemas mecânicos, por exemplo).

“Acredito que, hoje, a população sabe que a coleta de recicláveis passará no dia e horário corretos(veja quadro abaixo)”, afirma. Apesar de poderem trabalhar em melhores condições, é óbvio que os coletores dificilmente alcançariam preços aceitáveis se tivessem de comercializar individualmente os materiais que recolhem. Nas ruas, o quilo da garrafa PET costuma ser vendido por R$ 0,25. O papelão, que na Cotramati vem sendo cotado na faixa dos R$ 0,22, vale apenas R$ 0,05 em depósitos particulares.

“Como possuímos meio de transporte próprio e vendemos em maiores quantidades, podemos negociar melhores condições com as empresas”, diz Maria Cecília Pereira de Oliveira, responsável pelo setor de vendas de materiais da Cotramati.

Hoje são 27 cooperados. Com o aumento do volume de materiais recolhidos, Oliveira acredita que novos coletores deverão ser integrados à Cotramati, em breve. Atualmente, os trabalhadores da cooperativa recebem, em média, R$ 500,00 ao mês. Todos contribuem com a previdência.

Se diminuir a quantidade coletada de recicláveis ou o preço dos materiais, é quase certo que os cooperados terão sua renda reduzida. Hoje em dia, a maioria dos trabalhadores da Cotramati se diz satisfeita com o salário que recebem.

Há cerca de um mês, Maycon Welton dos Santos Soares, 19 anos, deixou de atuar como servente de pedreiro para se dedicar à coleta de recicláveis. “Aqui, o trabalho é mais sossegado”, acredita. Selma Regina dos Santos, 26 anos, atual presidente da Cotramati, nunca havia pensado em se dedicar à coleta.

“Há uns 10 meses, eu estava desempregada e resolvi arriscar neste ramo. Acabei gostando muito. Estamos prestando um serviço à sociedade, pois esse material que recolhemos não irá estragar o meio ambiente, no futuro”, diz ela.

A mãe de Selma recolhia recicláveis nas ruas, antes de ingressar na Cotramati. “Ela ganhava muito pouco. Tinha dias em que recebia menos de R$ 5,00”, afirma. De acordo com Oliveira, os cooperados pretendem encontrar meios para que, no futuro, tenham condições de processar os materiais que recolhem. “Dessa forma, poderíamos agregar valor aos produtos que comercializamos”, diz.

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Lixo eletrônico

Muita gente tem equipamentos de informática quebrados ou ultrapassados ocupando espaço em casa, ou até mesmo uma geladeira velha encostada no quintal. Com o objetivo de dar destinação correta a esse tipo de lixo, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) mantém um programa para a recolha do lixo eletroeletrônico em Bauru. Apesar da iniciativa positiva, ainda há regiões da cidade que não possuem postos de coleta.

O lixo é levado à Cooperativa dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis (Cotramati), no Jardim Redentor, que desmonta os aparelhos, separa seus componentes e os vende como sucata. Porém, não é tudo que pode ser disponibilizado para a coleta seletiva da Semma.

Eletrodomésticos como geladeiras, fogões, fornos de micro-ondas e máquinas de lavar roupa devem ser levados a alguma unidade da Secretaria das Administrações Regionais (Sear), que tem parceria com a Semma. As regionais Jardim Bela Vista, Vila Falcão e Parque São Geraldo recebem esses objetos.

Na cooperativa, esses equipamentos são desmontados. As partes de metal, plástico e tubulações são separadas e, depois, vendidas como sucata. Tubos de televisores e monitores de computador, por exemplo, são vendidos a empresas especializadas.

A Semma também mantém vários postos de coleta de pilhas e baterias. Como possuem elementos químicos contaminantes em sua composição, esses objetos são alvo de coleta especial pela pasta. As pilhas e baterias são compostas por metais considerados perigosos à saúde e ao meio ambiente, como mercúrio, chumbo, cobre, zinco, cádmio, manganês, níquel e lítio. Já as lâmpadas possuem mercúrio.

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