Bairros

Volta às aulas põe 30% mais veículos nas ruas de Bauru

Por Ieda Rodrigues | Com Maíra Soares
| Tempo de leitura: 6 min

Não só quem tem filho na escola já está sentindo a mudança de rotina com o início do ano letivo, que começou ontem em algumas escolas particulares de Bauru. Os motoristas em geral já percebem aumento de veículos nas ruas, principalmente perto das escolas, e em vias de maior movimento, como avenidas. A estimativa de especialistas ouvidos pelo Jornal da Cidade é que, quando os cerca de 99 mil estudantes do ensino infantil ao médio das redes particular, municipal e estadual voltarem às aulas, o que deve ocorrer até 22 de fevereiro, o número de carros circulando pela cidade seja 30% maior que no período de férias.

Isso porque, principalmente nas escolas particulares, que do ensino infantil ao médio soma cerca de 40 mil alunos, muitos pais levam e buscam os filhos em carro próprio. Ou seja, além de congestionar o trânsito próximo às escolas, para embarque e desembarque, aumenta o número de carros circulando nas ruas da cidade, cuja frota é de cerca de 180 mil veículos. O horário de trânsito mais intenso, com pontos de lentidão e congestionamento, é o do almoço, entre 12h e 13h, segundo o capitão Renato Ramos, comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar (PM).

“Pela manhã, das 7h às 8h, e por volta das 18h também aumenta o trânsito próximo às escolas, mas o maior problema é na horário do almoço porque junta a movimentação de carros para pegar os alunos que estão saindo, que estudaram pela manhã, com os que estão deixando quem vai estudar à tarde”, explica. Com muitos carros chegando e saindo, não é raro observar carro parado ao lado de outro veículo, em fila dupla, em frente às escola, o que configura infração de trânsito.

O capitão pede conscientização aos pais, para que não parem em fila dupla. “Além de estar sujeito a multa, ele estará causando congestionamento da via”, frisa. “É preferível estacionar mais longe, a algumas quadras, e levar o filho a pé até a escola a parar em fila dupla”, completa. O Código de Trânsito Brasileiro, em seu artigo 181, inciso XI, estabelece que parar em fila dupla é infração punível com multa grave, de R$ 127,69.

A Polícia Militar recomenda aos pais, assim como à toda população, a estudar a possibilidade de usar transporte coletivo para o deslocamento dos filhos para a escola. “As escolas já têm o sistema de vans que fazem este serviço. Esses veículos têm vaga de estacionamento demarcada ao lado das escolas”, ressalta o capitão. Outra sugestão de Renato Ramos para quem costuma levar os filhos na escola de carro é a carona solidária.

“Quem mora em prédio, em condomínio, por exemplo, pode combinar com pais que têm filho na mesma escola de cada dia um levar ou buscar as crianças na escola. Isso evitaria carros circulando com apenas uma pessoa, o que já é bastante comum em Bauru”, completa.

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Calendário

Embora algumas escolas particulares tenham começado as aulas ontem, segundo Duda Trevisani, diretor regional do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), 90% das escolas particulares iniciam o ano letivo no dia 1 de fevereiro. Ao todo são 40 mil alunos em instituições particulares que vão do ensino infantil ao médio em Bauru.

Os 40 mil alunos das 49 escolas da rede estadual de ensino na cidade começam os estudos no dia 18 de fevereiro. Até lá, as escolas estaduais farão parte do programa “Preparação do Ano Letivo” promovido pela Secretaria de Estado da Educação. Em todo o Estado, está previsto o investimento de R$282 milhões para reformas na estrutura física das unidades, além da distribuição de material escolar, livros didáticos e equipamento esportivo. A secretaria não informou o valor específico da verba destinado a Bauru.

Na rede municipal de Educação, as aulas começam no dia 4 de fevereiro para os cerca de 9 mil alunos de ensino fundamental distribuídos em 16 unidades e 11 mil alunos do ensino infantil de 20 Emeis, 40 Emeiis e 28 creches conveniadas. Desse total, 10 escolas estão em obras com alunos instalados em outros prédios.

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Adaptação é desafio para os novatos

O ano letivo começou ontem em algumas escolas particulares de Bauru. O início das aulas foi motivo de festa para boa parte dos alunos que não aguentava mais ficar longe dos amigos. Para outros, no entanto, o momento não foi tão divertido. Chegar em uma escola nova ou descobrir que não está mais na mesma turma dos amigos pode causar muito estresse. Para Walter dos Santos Xavier, coordenador pedagógico de um colégio particular, a adaptação é o grande desafio deste momento.

“Eles (alunos) ficam muito ansiosos e animados para voltar. Têm saudades dos amigos, querem conhecer os alunos novos. Esse é um momento de adaptação. No nosso colégio recebemos 200 alunos novos, que vão precisar de um acompanhamento mais de perto. E tem também aqueles que mudam de turma por um motivo ou outro e, às vezes, tem problema. Hoje (ontem), por exemplo, uma menina passou mal e chegou a vomitar ao descobrir que não estava na sala das colegas”, conta Walter.

Nessa hora é preciso paciência para entender os sentimentos da criança. “Embora a gente troque as turmas para que as crianças se socializem com outros grupos, às vezes, elas não entendem e, em alguns casos, é melhor voltá-las para suas sala de origem”, explica o coordenador.

Para facilitar a integração dos novos estudantes, a proposta do colégio foi aumentar o intervalo na primeira semana de aula. Ao invés de 20 minutos, os alunos agora têm meia hora para botar o papo em dia com os antigos amigos e conhecer os novos colegas.

Os alunos que chegam de outras escolas recebem um acompanhamento especial da diretoria, coordenadores e psicólogos ao longo do semestre para garantir que tudo correrá bem em sua adaptação com os colegas e com o conteúdo. “Às vezes, vêm alunos de escolas com grades curriculares diferentes e não há uma prova para saber como eles estão antes de entrar. É dando uma atenção especial que vamos acompanhar o desenvolvimento e perceber as necessidades”, diz Xavier.

Embora as escolas montem verdadeiras “estratégias” para garantir a adaptação, ontem, no horário da saída, ninguém parecia querer ir embora. Na porta de um colégio particular, os alunos gritavam, brincavam e conversavam tanto que nem ouviam o funcionário que chamava seus nomes pelo microfone avisando que os pais haviam chegado para buscá-los.

Ana Clara Leme de Olveira, de 5 anos, não conseguia parar de enumerar tudo o que tinha feito na escola. “(O primeiro dia) Foi bom, eu já tava querendo voltar para brincar com a minha amiga Amanda. A gente brincou de desenhar, de patinho, batata quente”, conta. Julia Gebara, 9 anos, também estava feliz em começar os estudos. “Achei que ia fazer um monte de coisa nas férias e acabei não fazendo tanto. Queria voltar, rever meus amigos”, diz.

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