Tribuna do Leitor

Acorda, BAURU!


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Morando em Araraquara, já há 28 anos, mas com uma imensa saudade de minha cidade, não poderia deixar de fazer uma comparação entre essas duas cidades, porque se tornou covardia, mas para que se abra os olhos dos políticos que sempre governaram essa nesse período e nada fizeram para que Bauru se tornasse o que realmente merece. Cheguei em Bauru no ano de 62, vindo de Campo Grande, cidade que na época era menor que Bauru, conheci uma cidade pujante já com prédios, e um prefeito (Irineu Bastos) que era um prefeito do tipo “light”. Logo em seguida veio o sr. Alcides Franciscato, que deu uma alavancada na cidade, colocando-a entre as melhores cidades do Estado de São Paulo para se viver.

Tornei-me um noroestino roxo (ou melhor, vermelho). Acompanhei-o por todos os lugares possíveis torcendo e sofrendo com as subidas e descidas do vermelhinho. Até hoje, 28 anos depois de sair de Bauru, continuo o mesmo noroestino que, inclusive, nas poucas vezes que veio jogar aqui em Araraquara, fui sentar-me ao lado da torcida Sangue Rubro para torcer para o meu querido Norusca. Tenho uma camisa surrada dos tempos que o Norusca ainda era patrocinado pela Kolbach.

O que mais me doeu nesses 28 anos foi ver Bauru ser passada para trás por muitas cidades no aspecto industrial (principalmente) e outros problemas que a seguir vou descrever. Até hoje, desde 1981, quantas indústrias se instalaram em Bauru?

Quando cheguei aqui, já tinha a Lupo, Nestlé, Nigro, Villares, Cutrale, e outras pequenas empresas que se tornaram grandes. Em seguida vieram a Kaiser, Sachs (fábrica de embreagens), a construção da Lupo 2, a Cutrale 2, esnobaram a fábrica da Volkswagen que foi para São Carlos, a Sade, Vigesa, a Inepar (fábrica de pontes rolantes até vagões de metrô), a implantação de oito distritos industriais (industriais mesmo, não é depósito não), a Embraer aqui encostada da cidade em Gavião Peixoto (a maioria dos seus funcionários moram em Araraquara) e por fim no ano passado a Nestlé inaugurou a expansão da mesma admitindo 1.200 funcionários. De quebra, vieram para cá empresas que rodeiam essas grandes indústrias que não foram poucas.

No âmbito escolar, pode se equiparar o que tem em Bauru, com o que tem em Araraquara, com uma diferença; aqui se conseguiu a instalação da tão sonhada Faculdade de Medicina, coisa que eu sempre vi falar que Bauru pleiteava e nunca conseguiu.

No âmbito esportivo, a Ferroviária, se por um lado virou um fracasso, por causa de más administrações (tinha patrocinadores fortes como Lupo, Cutrale, Nestlé, Kaiser, Inepar e Nigro), compensou com a conquista da Arena da Fonte (hoje o 2.º melhor, só perdendo para o Engenhão, que foi construído desde o começo e não como a Ferroviária que foi adaptada ao que já existia).

Acreditem ou não, apesar dos meus 28 anos de Araraquara, a cidade do meu coração é Bauru. Todas as vezes que vejo uma grande indústria instalar-se em Araraquara, fico imaginando que poderia ser para Bauru que necessita de mais empregos (muito mais mesmo).

Gostaria que os políticos de Bauru fizessem o que fizeram os políticos de Araraquara, que conseguiram principalmente indústrias para a cidade e lutassem para que Bauru pudesse ser o que realmente essa cidade merece no contexto geral do Estado de São Paulo, ou logo logo verão Marília engolir Bauru no sentido de importância na parte central do Estado de São Paulo. Abraços do eterno bauruense e noroestino.

Juarez Malaquias Gomes

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