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Estudantes de Bauru tentam retornar de Machu Picchu

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Era para ser uma agradável viagem de turismo, mas por causa das fortes chuvas que atingiram a cidade histórica de Machu Picchu (Peru), as jornalistas Verônica Lima e Alessandra Possebon, que fazem pós-graduação na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, não têm como sair da localidade. Elas integram um grupo de cerca de 200 turistas brasileiros que esperam ser resgatados. Pelo MSN, sistema de comunicação on line, Verônica disse ao JC que ontem comida já começava a ficar escassa e o preço da água mineral subia assustadoramente.

“Hoje (ontem) de manhã, por exemplo, a gente foi comer pão e não tinha muito. Água a gente está tentando economizar”, disse. “A comida vem da cidadezinha que abriga o complexo turístico, chamada Águas Calientes”, acrescentou. Verônica viajou ao Peru para fazer curso de espanhol, no último dia 12 de janeiro. No domingo, com a amiga Alessandra, seguiu para a cidade inca de Machu Picchu numa viagem de turismo.

Mal chegou e já se deparou com o caos por causa das fortes chuvas, que causaram deslizamentos e alagamentos. Por isso, o trem, principal meio de transporte para Machu Picchu, está parado. As estradas de acesso à cidade também estão bloqueadas, com caminhões que transportam mercadorias parados na via. O governo local decretou situação de emergência por 60 dias na região.

Hospedada em um hotel, ontem Verônica cogitava a possibilidade de dar sua vaga a um outro brasileiro que estava com febre por causa de uma diarreia. Se saísse do hotel, ela disse que provavelmente iria se alojar em vagões de trens, como já faziam outros turistas, ou algum prédio público. “Ou ainda me espremer com alguns outros brasileiros em outro quarto do hotel”, disse ao JC.

A preocupação geral dos turistas, a maioria estrangeira, conta Verônica, é em como sair de Machu Picchu. “O problema é que não há informações oficiais. O governo peruano não fez nada além de mandar um helicóptero para resgatar os doentes”, relatou ela pela Internet, que apesar do caos da cidade, estava funcionando bem. “Já falei com minha família”, disse ela ontem. Até então, não havia “plano b” para os turistas saírem da cidade. “O único jeito de sair daqui é a pé, mas o rio está bravo. Parece que dois guias morreram”, contou.

Há pelo menos cinco mortos em decorrência da chuva. Outras 50 pessoas ficaram feridas e há milhares de desabrigados. Apesar dos problemas na cidade que vive situação de emergência, a jornalista disse que estava se sentindo segura, sem ocorrências como saques e assaltos.

Verônica é natural de Guararapes, mas atualmente mora em Bauru e na cidade já trabalhou em emissora de TV e empresa de assessoria de imprensa. Atualmente, faz pós-graduação na Unesp, assim como Alessandra, que é jornalista de Ribeirão Preto.

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Embaixada do Brasil

A Embaixada do Brasil no Peru enviou ontem um diplomata e um vice-cônsul para Cusco, além de alimentos e cobertores, com o objetivo de coordenar a assistência aos brasileiros ilhados em Águas Calientes, segundo Rodrigo Estrela, diplomata brasileiro em Lima. Por enquanto, o resgate dos brasileiros (que podem chegar a 180, segundo estimativa da embaixada) será feito pelo governo peruano.

Não está descartada a hipótese de o Brasil retirar os turistas da região se o socorro peruano não chegar a tempo, o que teria de ser negociado com o governo local. Um grupo de 37 turistas do Rio Grande do Sul, que viajou de ônibus até o Peru, precisou dormir duas noites em vagões de trem depois de ficar isolado pelos deslizamentos.

Segundo a dona da agência que promoveu a viagem, Susana Bohrer, o grupo subira as montanhas no domingo para visitar as ruínas de Machu Picchu e previa voltar para um hotel em Cusco no mesmo dia.

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