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O antijornalismo de Di Franco

Pedro Leonardo
| Tempo de leitura: 4 min

É no mínimo patético o artigo de Carlos Alberto Di Franco (“Lula - imagem estilhaçada”), em que usa da desinformação para enganar o leitor quanto ao PNDH 3. Entre diversos argumentos mentirosos, o dito ‘jornalista’ diz que Lula e Dilma Rousseff agridem o direito de propriedade, desqualificam o Poder Judiciário e atacam a liberdade dos meios de comunicação. Ao que parece, o ‘jornalista’ não se deu ao trabalho de ler o documento do Plano Nacional de Diretos Humanos, mas deve ter preferido concordar com os editoriais do Estadão, as reportagens manipulativas do Jornal Nacional, a reportagem famosa do Jornal da Band (aquela que só utiliza uma fonte: Ives Gandra) ou aos comentários delirantes de Neumanne Pinto. Uma mistura de desinformação com discurso forjado de setores raivosos adversários do governo Lula (partidos de oposição, grande mídia, classe média). O PNDH 3 tem caráter propositivo, é um enunciado. Foi publicado por decreto do presidente Lula, mas isso não o torna lei. As propostas precisarão tramitar no Congresso Nacional. Contudo, Di Franco prefere distorcer os fatos, dizendo que Lula impõe “um modelo autoritário”. Não foi Lula que escreveu o Plano. As propostas presentes no PNDH 3 foram discutidas com representantes do governo e sociedade civil na Conferência Nacional de Direitos Humanos, em 2008. Fora isso, este plano atual é uma continuação dos PNDH I e II, elaborados durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. O próprio Paulo Sérgio Pinheiro, integrante da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e formulador do PNDH II no governo FHC, disse que a linguagem dos três programas é muito parecida. No governo FHC também houve Conferências de Direitos Humanos para se definir diretrizes dos Planos. Di Franco também não informa o leitor que as concessões de rádios e televisões são públicas. Acompanhar a utilização das concessões de rádio e TV e conteúdos que atentam contra os direitos humanos é, por exemplo, o que faz a Campanha pela Ética na TV (“quem financia a baixaria é contra a cidadania”) e que nunca foi usada para “controle da mídia independente e formadora de opinião”. Ações como esta contribuem para criar vínculos entre espectadores e prestadores do serviço público. No entendimento de Di Franco, acompanhar o uso da concessão pública é um atentado à liberdade de imprensa, mas o concessionário público de rádio e TV pode mentir, forjar, deturpar informações sem dar satisfações à sociedade. Tudo pela liberdade de imprensa (das poucas famílias que controlam a comunicação no Brasil). Apenas para elucidar, o ministro aposentado do STF Sepúlveda Pertence, em recente entrevista ao site Carta Maior, defendeu o PNDH 3 e criticou a ignorância de quem não leu o Plano. Uma ignorância que é fruto das manifestações legítimas contra propostas do plano até a “voz poderosa dos interesses a preservar contra qualquer ameaça de trazê-los à agenda de discussão nacional”. Diz ainda que “o Plano é fiel à Constituição” e “é um esforço admirável de sistematizar propostas no rumo da concretização do programa constitucional de uma sociedade futura - justa, livre e solidária”. Em seu artigo, Di Franco diz que “a defesa da liberdade passa pela promoção da investigação de qualidade”. Porém, ao dizer que o governo pretende controlar a imprensa, reduzir o papel do Congresso Nacional e desqualificar o Poder Judiciário, o dito “jornalista”, no mínimo, não leu o Plano na íntegra e faltou com a verdade aos leitores do Jornal da Cidade. Não investigou e não prezou pela informação de qualidade. Publicar informação de qualidade e promover uma discussão honesta é o mínimo que a sociedade esperaria de um jornalista, atitudes estas que não encontramos em seu artigo.

Di Franco ainda diz em seu texto que a imagem de Lula estilhaçou-se no Brasil e no exterior. Com certeza, o jornalista está desinformado, pois Lula receberá nesta semana o prêmio de “Estadista Global”, criado pelo Fórum Econômico de Davos. Além disso, Lula foi escolhido como o “Homem do Ano” pelo jornal francês Le Monde e “Personagem ibero-americano de 2009”, pelo jornal espanhol El País. Qual é o arranhão sofrido por Lula? Ou Di Franco quer "arranhar" a imagem de Lula? O texto de Di Franco nos mostra o que existe de pior no jornalismo. Tendencioso, usa de argumentos inverídicos para confundir o leitor. É o que fazem aqueles movidos pela desinformação, má fé, desonestidade e preguiça intelectual. Ou movidos politicamente. Di Franco, ao atacar Lula e Dilma, ignora todos os preceitos do bom jornalismo que diz defender. Faz parte do jogo golpista e do desprezo aos leitores. Di Franco prefere o jornalismo de ficção.

O autor, Pedro Leonardo, é jornalista formado pela Unesp

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