Tribuna do Leitor

Noites brancas


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Quem vive em uma província distante da capital compreende como funciona a dinâmica das inovações: por mais que as relações pessoais estejam muito mais simples e rápidas (fruto desse “mundão de meu Deus globalizado”) que nós nos transformemos em cidadãos ocidentalizados, contra a barbárie... Uma vez província, sempre província.

As inovações demoram um pouco mais para chegar. Primeiramente, trata-se de novidades em grandes centros. A partir daí (se a moda pegar) começa a propagar-se pelos rincões interioranos, observando o interesse e a utilidade da novidade. Alguns dias atrás, os requisitos foram preenchidos por aqui. Estava a ler o nosso jornal provinciano, quando me deparei com uma reportagem que anunciava a substituição de lâmpadas em uma das principais avenidas da cidade: novas lâmpadas de vapor metálico no lugar das que contam com a tecnologia de vapor de sódio. Na reportagem se destaca a importância de uma simples substituição de lâmpadas. Recebi aquela notícia como é costume entre aqueles que não moram nos grandes centros: “Seja lá o que for, nossa província está se modernizando”, ou “a civilização chega a largos passos por aqui”.

Historicamente, essa é a comum distinção entre a “kultur” alemã e a “civilization” francesa, conforme análise de Norbert Elias em “O Processo Civilizador”. A França era o centro das referências de modernização, costume, corte, erudição. A Alemanha, por sua vez, apenas reproduzia o que era tendência na França.

Aqui não há de ser diferente. Porém, faço uma ressalva: fiquei bastante admirado com a nova iluminação. Agora vejo os prédios e as pessoas e os carros com maior nitidez.

E tudo é branco agora. Sempre foram amarelas ou escuras, dependendo da iluminação da rua.

Creio que a Lua vá agradecer a nossa província, pois ela ilumina apenas a noite dos namorados. Não tem a pretensão de mostrar ao mundo os estabelecimentos comerciais, os buracos de ruas e os assaltantes que pela noite perambulam, no caminho contrário dos postes. As pessoas deixam de ter aspecto e coloração amarela. Ainda bem! Pelo menos por aqui, na Avenida Duque de Caxias. E por aí?

Bruno Emmanuel Sanches - estudante de ciências sociais e blogueiro

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