Economia & Negócios

Em 2009, telefonia celular aumenta 18% na área 014

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Embora seu tamanho seja cada vez mais reduzido, o aparelho celular não para de crescer em importância e abrangência no mercado nacional. E, em Bauru, a evolução desse artigo tão eficiente quanto controverso não é diferente.

Apenas na grande região com código de área 14, que abrange 100 municípios, o número de telefones celulares cresceu 18,6% em 2009, saltando de 1.748.985 para 2.075.370 terminais, de acordo com dados da Agência Nacional das Telecomunicações (Anatel). No Estado, esse índice ficou em 17,4% e, no Brasil, em 15,5%.

Com o resultado, a grande região de Bauru - que também inclui municípios de economia bem desenvolvida como Marília, Lins, Jaú, Botucatu e Avaré - já dispõe de quase um celular para cada um de seus 2,3 milhões de habitantes.

Para conquistar tantos adeptos, os celulares se transformaram em verdadeiras estações de comunicação, trabalho e entretenimento portátil, com câmera fotográfica e de vídeo, mp3 player, localização via satélite, rádio, jogos e conexão à Internet. Com isso, se transformou em um dos mais cobiçados e revolucionários objetos contemporâneos de consumo, facilitando a comunicação entre as pessoas, criando novos códigos de comportamento, reduzindo os limites da privacidade dos indivíduos e modificando, de maneira inédita, a forma de o ser humano relacionar-se à distância com seus pares.

E esta popularização só foi possível em razão da queda nos preços dos celulares - que, quando chegaram ao Brasil, há 20 anos, custavam pequenas fortunas - e do advento do sistema pré-pago, ainda responsável por 82% das opções de consumo no Estado de São Paulo.

“Mesmo sendo uma forma mais cara de usar o celular, a opção pelo pré-pago é uma medida de prudência, um auto-policiamento que as pessoas se impõem para ter controle sobre suas contas. No Brasil, a população está acostumada a se planejar, então opta pela certeza do quanto vai gastar no mês para não ficar inadimplente”, avalia o economista Fernando Pinho.

Apelo

Segundo ele, associado às facilidades de aquisição do aparelho, o apelo de marketing constante das empresas de telecomunicações criou uma demanda nas camadas sociais mais baixas, cujas famílias, muitas vezes, possuem mais de um equipamento em casa. “O celular é algo que confere status, então todas as classes sociais consomem este tipo de serviço. Mas, como o Brasil tem a terceira tarifa de telefonia celular mais cara do mundo, vale lembrar que a grande maioria usa o celular pré-pago com carga zero, ou seja, só para receber ligações”, pondera.

Dados divulgados pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) indicam que a explosão do número de usuários vem ocorrendo especialmente nos países do chamado Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), que já corresponde a um terço dos celulares no planeta. Há dez, o mundo contava com pouco mais de 500 milhões de celulares mas, até o final deste ano, a previsão é que o número de assinaturas de serviços de telefonia móvel chegue a 4,6 bilhões.

____________________

Desaceleração

Em razão de uma iminente saturação do mercado, o economista Fernando Pinho acredita que a telefonia celular deve continuar crescendo, mas não na mesma velocidade registrada nos últimos dez anos. “Esse ritmo vai diminuir, já que a capacidade de absorção de linhas é limitada ao número de habitantes, por mais que uma parcela deles tenha mais de um aparelho. Mas é certo que há muito a avançar ainda”, comenta.

À medida em que a desaceleração no aumento da quantidade de terminais móveis se confirmar, Pinho projeta que um novo movimento será cada vez mais estimulado, graças à possibilidade da portabilidade numérica. “Haverá mais migração de clientes de uma companhia para outra do que o surgimento de novas assinaturas. Tudo denota que o setor tenda a se desaquecer nos próximos anos, como já ocorre nos países mais desenvolvidos, onde o mercado está plenamente abastecido”, conclui.

Comentários

Comentários