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Com suspeita de tumor, idosa espera por consulta

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A burocracia e a deficiência no atendimento público de saúde transformou a vida de Lúcida Henrique Rocha, 80 anos, em uma interminável peregrinação por unidades de saúde e hospitais de Bauru. Desde a última sexta-feira, a família da paciente procura um modo de conseguir tratamento para a idosa, que está com suspeita de tumor na região abdominal. Mas, ela ainda continua sem saber a gravidade da sua doença.

De acordo com o médico que atendeu Lúcida, o ginecologista José Roberto Salina, o caso deveria ser dado como prioridade mas, devido à existência de pacientes em estado mais crítico que o dela e à insuficiência de vagas de internação no Hospital Estadual Bauru (HE) - referência no atendimento de casos oncológicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ela não pôde ser tratada com a devida urgência. No HE, uma simples consulta só pôde ser agendada para a paciente no dia 3 de março.

“É mais de um mês de espera só para a primeira consulta, sem assistência nenhuma. Trata-se de uma idosa de 80 anos, com a saúde fragilizada. Como isso pode acontecer?”, indaga a bisneta de Lúcida, Jéssica Marcelli de Oliveira.

Ela conta que a bisavó foi atendida na Unidade de Saúde (US) da Vila Falcão na última sexta-feira, depois de passar mal por não estar conseguindo se alimentar. Na unidade, o médico detectou uma saliência no lado esquerdo da barriga da idosa e solicitou a realização de ultrassom, exame que foi feito em uma clínica particular.

Através das imagens do exame, foi diagnosticado uma grande massa com aparência de tumor, que estaria comprimindo o estômago de Lúcida, o que poderia estar provocando sua inapetência. O médico da US da Vila Falcão, então, pediu para que a família procurasse o Pronto Socorro Central (PSC) ou o Pronto Socorro do Jardim Bela Vista.

A família levou a paciente até o PS da Bela Vista, que informou que ela deveria se dirigir ao PSC. Ao chegar no local, segundo a família, o médico verificou o ultrassom e, logo em seguida, encaminhou a idosa para Maternidade Santa Isabel. Foi lá que a família teve o primeiro contato com o ginecologista José Roberto Salina.

O ginecologista examinou a paciente, avaliou o ultrassom e pediu vaga para internação no HE. Enquanto a vaga não era disponibilizada, Lúcida ficou na maternidade.

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Diagnóstico precisa de exames

Pelos exames, o médico José Roberto Salina acredita que a idosa possa ter um tumor nos ovários ou intestino, cuja malignidade ou benignidade precisa ser investigada.

Mesmo sem conseguir a vaga no HE e sem poder receber o devido tratamento na maternidade, Lúcida teve uma melhora em seu estado de saúde e recebeu alta no domingo. Na segunda-feira pela manhã, a família procurou o Serviço de Orientação e Prevenção ao Câncer (SOPC), onde Salina clinica.

Após o atendimento, a assistente social do órgão encaminhou a paciente para o HE, com novo pedido de internação.

Sem conseguir se alimentar, Lúcida voltou na noite de segunda-feira para a maternidade. Através da unidade, ela conseguiria realizar uma consulta ontem no Hospital Amaral Carvalho. A família registrou um boletim de ocorrência contra o HE no Plantão Policial e poderá recorrer ao Ministério Público para garantir o tratamento da idosa em Bauru.

Consultada pela reportagem, a assessoria de imprensa do HE informou que recebeu pedidos de internação clínica enviados pela maternidade, mas não o encaminhamento para a realização de cirurgia oncológica. Ainda de acordo com a assessoria, quando os pedidos foram analisados pelo hospital, na segunda-feira, a paciente já havia recebido alta na maternidade e, por esse motivo, as solicitações de internação foram desconsideradas e uma consulta foi agendada para o dia 3 de março no ambulatório da unidade.

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Cirurgia custa R$ 30 mil

Conforme apurou o JC, uma cirurgia de retirada de tumor no ovário ou intestino, semelhante à que Lúcida Henrique Rocha pode precisar, custa em torno de R$ 30 mil no sistema privado de saúde. Para uma idosa que tem como rendimento apenas a pensão do marido falecido, de apenas R$ 510,00, seriam necessários quase cinco anos até que toda a quantia fosse arrecadada.

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