Dentro da IX Mostra de Teatro, o diretor Paulo Neves escolheu um dos melhores textos de Plínio Marcos para ser encenado pelos atores Diego Dac e Marco Aurélio Ribeiro, hoje, no Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves”, às 21h.
É inegável que o conjunto de obras de Plínio tenha a finalidade de debater à exaustão vários problemas que se mantêm insolúveis em nossa sociedade. As relações entre capital e trabalho, opressor e oprimido, apadrinhados e deserdados da sorte, entre outros.
No espetáculo que o bauruense verá nesta noite “A balada de um palhaço”, a situação não é muito diferente, embora trate de uma das obras mais poéticas de Plínio Marcos. O debate se dá entre Bobo Plin (Diego Dac), que aponta novos caminhos, e Menelão (Marco Aurélio Ribeiro), que só pensa nos lucros e em escapar da falência explorando o trabalho de Bobo Plin.
Segundo o jornalista Carlos Pinto: “Bobo Plin é uma personagem que carrega em seu contexto a universalidade, quer seja masculina ou feminina, quer seja criança ou adulto, que viaja entre alegria e tristeza com a rapidez do pensamento. O debate que trava com Menelão, que só se preocupa com o faturamento que possa garantir sua continuidade miserável, nos mostra um Bobo Plin preocupado na busca de sua felicidade, que ele traduz como busca da própria alma”.
Ainda segundo o jornalista santista: “É a partir deste debate que aparecem as situações tragicômicas de uma sociedade perdida entre o sonho e a realidade, cujos caminhos são estreitados pela falta de oportunidades, pela opressão das classes dominantes, pela perplexidade de não avistar uma luz no final do túnel. Nele surge o contraditório da violência e do consumismo a que se entregou a espécie humana”. E conclui o jornalista Carlos Pinto: “Bobo Plin mantém as esperanças dessa luz no fim do túnel, num tempo onde o homem seja parceiro do próprio homem, na luta comum pela igualdade e justiça social”