O modo agressivo como os motoristas brasileiros se comportam no trânsito reflete um problema ético de nossa sociedade, acreditam os especialistas da área. “Em nosso País, as pessoas só respeitam a lei se houver um guarda olhando. Quando não há fiscais, todo mundo se sente no direito de fazer o que bem entender”, afirma o engenheiro mecânico Marcos Serra Negra Camerini, conhecido por sua coluna “Dr. Automóvel”, publicada às quartas-feiras no caderno Automercado do Jornal da Cidade.
Na visão dele, os brasileiros levam para o interior do carro a mesma falta de civilidade com que agem no dia-a-dia. “Morei na Alemanha e na Suécia. Lá, os condutores esperam pacientes o sinal vermelho abrir, mesmo que seja madrugada. Aqui, por outro lado, as pessoas reclamam dos políticos corruptos, mas não demonstram o menor respeito pelo próximo. Se não houver nenhuma autoridade por perto, jogam lixo no chão, pisam na grama, furam filas e burlam as regras de trânsito”, afirma.
Gustavo Cardoso, da Gerência de Multas da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), considera crítica a situação do trânsito na cidade no período noturno. “Infelizmente, os condutores só reagem se percebem a presença da fiscalização. Quando notam o radar, tiram o pé do acelerador para escapar da multa, mas depois voltam a correr acima do limite de velocidade”, diz.
Para Camerini, essa situação de barbárie nas ruas só será superada quando o Estado brasileiro começar a educar a população para conviver no trânsito. “Levando-se em conta que todo mundo vai dirigir um dia, o lógico não seria que as pessoas aprendessem sobre o tráfego desde crianças e não apenas na auto-escola?”, questiona.