O juiz da 4.ª Vara Criminal de Bauru, Ubirajara Maintinguer, decretou ontem a prisão preventiva de Vander Pedroso Cuba, 28 anos. Anteontem, o Ministério Público ofereceu denúncia contra ele por latrocínio e ocultação de cadáver. Ele é acusado de matar a representante comercial Adriana Melanda, 33 anos, no início de dezembro passado.
De acordo com o promotor Júlio César Rocha Palhares, devido à periculosidade, violência do crime, modo de agir e pelo comportamento de Cuba durante as investigações, ele pediu a prisão preventiva do acusado por roubo seguido de morte (latrocínio) e ocultação de cadáver.
O caso foi investigado pelo 1.º Distrito Policial, que relatou o inquérito à Justiça nesta semana. Segundo o promotor, o inquérito relatado foi bastante trabalhoso e contou com o depoimento de muitas pessoas. Palhares destaca que tudo foi analisado cuidadosamente.
De acordo com Ubirajara, Cuba pode ficar preso até o julgamento ou até que sua defesa obtenha recurso contra a prisão preventiva. Casos de revogação de prisão por constrangimento legal só são cabíveis se o excesso de tempo for injustificado. Cuba está detido na Cadeia Pública de Duartina desde o dia 4 de dezembro. Ele teve prisão temporária decretada por 30 dias e ela foi prorrogada por mais 30.
Ele foi pego pela Polícia Civil com o carro e o celular da vítima dois dias depois do desaparecimento de Adriana. À polícia, ele disse que comprou o carro, com o celular dentro, de um rapaz que informou apenas o primeiro nome por volta das 20h do dia 2 de dezembro, data em que ela desapareceu.
No dia 14 de dezembro, um corpo de mulher foi encontrado no bairro rural de Quirilândia, em adiantado estado de decomposição. A suspeita era que se tratava de Adriana. Familiares da vítima reconheceram peças de roupa como sendo da representante comercial. Posteriormente, exame da arcada dentária do corpo encontrado confirmam que, de fato, era Adriana.
O advogado de Cuba, Sérgio Mangialardo, afirmou que aguarda acesso aos autos. “Até agora, todos os direitos do réu, com todo respeito à investigação, foram violados porque não tivemos acesso a qualquer peça do processo”, diz. “Agora, tomaremos ciência dos fatos para as devidas providências. Inclusive, aguardando o resultado do processo instaurado pela Corregedoria da Polícia Civil para a averiguação dos incidentes ocorridos anteriormente, onde o acusado alegou ter sido agredido durante as investigações”, diz.
A família de Cuba foi ouvida pela Corregedoria da Polícia Civil, que abriu processo investigatório para apurar a denúncia dos parentes de que ele teria sido agredido por policiais civis.
Procurado pelo Jornal da Cidade, o delegado Silberto Sevilha Martins, que presidiu o inquérito, não foi localizado no DP. Por telefone, ele afirmou que não iria se manifestar sobre o processo, uma vez que toda a investigação ocorreu sob sigilo. Ao ser questionado sobre as afirmações da defesa, ele ironizou. “Causa muita estranheza, pois o ato que ele quer dar conotação de tortura praticada no dia 8 de dezembro, foi realizado no dia 21 de janeiro, na sua presença e com a sua assinatura”, afirma. “E que um dos motivos que levou ao sigilo foi evitar um julgamento popular na mídia e tirar do judiciário a segurança jurídica para a aplicação da lei penal”, diz.
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Inquérito
De acordo com o delegado Silberto Sevilha Martins, as investigações sobre a morte de Adriana Melanda foram pautadas por três pontos: inteligência, ciência e legislação. “Pelo setor de inteligência foi possível, em menos de 48 horas, chegar ao suposto autor”, afirma. “Já pela ciência, com a investigação de campo, foi possível trazer aos autos um conjunto probatório que, para a polícia, não restam dúvidas de que Cuba está inserido no contexto criminoso”, pontua. “E a manifestação do Ministério Público e da Justiça reforça a premissa que é um caso extremamente emblemático e, como tal, sempre vão surgir muitas teorias. Mas o que a Polícia Civil buscou foi a verdade real”, afirma.
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Vítima teria sido abordada no Gasparini
Adriana Melanda, assim como o marido, Paulo da Silva Dias, trabalhava para a montadora Ford e visitava concessionárias da região de Bauru. No dia 2 de dezembro, ela havia viajado a Marília para visitar uma concessionária de lá. Pouco antes das 18h, Paulo contou que recebeu uma ligação da mulher e que ela disse que já estava retornando a Bauru. Os dois combinaram se encontrar para jantar e ir ao cinema em seguida.
O Jornal da Cidade apurou que antes do encontro ela informou que iria passar em sua costureira, no Núcleo Gasparini. Porém, ao que tudo indica, Adriana foi abordada antes de chegar à casa da costureira.
Ela também não apareceu no local combinado com o marido e não mais atendeu as ligações. No dia seguinte pela manhã, Paulo procurou o 1.º Distrito Policial para registrar o desaparecimento da mulher.
O corpo da representante comercial foi localizado no dia 14 de dezembro, no bairro rural de Quirilândia. De acordo com o apurado pela reportagem, ela foi morta por asfixia. A informação não foi confirmada pela polícia.