Depois de muita espera, finalmente, as duas estudantes de Bauru que integravam o grupo de turistas ilhado em Machu Picchu (Peru) por causa das chuvas foram resgatadas. Ontem à tarde, após esperar por sete horas seguidas a vez de entrar no helicóptero do governo peruano, as jornalistas Verônica Lima e Alessandra Possebon, que fazem pós-graduação na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, chegaram a Cusco, de onde haviam saído para a viagem à cidade histórica inca.
Se tudo der certo, na segunda-feira elas chegarão ao Brasil. Por telefone, por volta das 23h30 de ontem (horário de Brasília), Verônica informou ao JC que estava muito aliviada por chegar a Cusco. “A sensação é de alívio. Estamos bem, um pouco frágeis porque hoje (ontem), por exemplo, comemos só bolacha. Mas agora já nos alimentamos direito e está tudo bem. Amanhã (hoje) vou tentar remarcar meu voo daqui de Cusco para Lima, que era hoje (ontem) e perdi”, explicou.
Verônica ressaltou que o embaixador do Brasil em Lima, o cônsul e vice-cônsul estavam em Cusco recepcionando os brasileiros que chegavam de helicóptero e oferecendo ajuda no retorno para casa. “Eles providenciam ajuda para quem, como nós, perdemos o voo marcado. E no domingo sairá do Brasil um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) para o Peru. No retorno, levará quem não conseguir passagem”, detalhou.
É exatamente no retorno ao Brasil que os turistas estão encontrando dificuldade. Os aviões das companhias aéreas estão lotados e as passagens, caras. Porém, as duas estudantes de Bauru têm passagem marcada de Lima para São Paulo no noite (hora de Lima). Em Cusco, as duas estão hospedadas em um hostel, onde estavam antes de sair em viagem a Machu Picchu. “Parte das nossas malas, inclusive, está aqui no hostel. Estamos bem acomodadas, mas não vejo a hora de chegar na minha casa”, disse Verônica.
Os planos dela era chegar em São Paulo na segunda-feira e ficar na capital por mais alguns dias. Mas depois do estresse que viveu em Machu Picchu, da incerteza de quando conseguiria sair da cidade e se haveria comida no dia seguinte, ontem ela já pensava em vir para Bauru no mesmo dia que chegar a São Paulo.
Verônica e Alessandra chegaram a Machu Picchu, de trem, no domingo passado. E logo se depararam com a cidade em caos por causa das fortes chuvas que atingiram a região. Porém, como cerca de outros 2 mil turistas de várias nacionalidades, não podiam sair de Machu Picchu porque as chuvas causaram deslizamentos e alagamentos.
Por conta de queda de barreiras, o trem, principal meio de transporte para Machu Picchu, parou. As estradas de acesso à cidade estão bloqueadas. Pelo menos sete pessoas morreram e o governo local decretou situação de emergência por 60 dias. Ontem o governo peruano terminou o resgate dos turistas na cidade.