Os advogados dos sete sem-terra ligados ao MST disseram ontem que não há motivo para seus clientes continuarem presos. Para o advogado Jorge Moura, que faz a defesa na Justiça de Miguel Serpa, da vereadora Rosimeire Pan D’ Arco, Paulo Beraldo e Máximo Alvino, durante o inquérito policial para apurar os danos à fazenda nenhum deles foi intimado para prestar esclarecimentos. “Foi uma prisão decretada unilateralmente por vontade do delegado. A prisão temporária só ocorre quando os investigados oferecem risco à investigação. Meus clientes têm residência fixa”.
Moura diz que a prisão é “política para destabilizar a luta pela reforma agrária”. O advogado afirma ainda que os acusados foram presos em suas casas e não ofereceriam risco de fugir. “Se até hoje não oferecem risco, não há motivo de prorrogar as prisões, porque se liberados vão continuar nas suas casas trabalhando e à disposição (da Justiça) para serem ouvidos”, declarou.
O advogado Sérgio Eduardo Mangialardo pediu ontem a revogação da prisão temporária de Carlos Alberto da Luz Serpa, 26 anos, acusado de formação de quadrilha e bando. “Não há necessidade de manter a prisão cautelar, porque ela foi decretada há 45 dias. A alegação de formação de quadrilha é muito subjetiva. Só se justifica quando o acusado impede o oferecimento de prova ou atrapalha a investigação. Isso não está acontecendo”, disse o advogado de Carlos Serpa.
O coordenador nacional do MST, Gilmar Mauro, classificou em nota como “políticas” as prisões temporárias dos integrantes da organização. Ele reclamou que as prisões são arbitrárias, já que nenhum dos presos se negou a prestar depoimento à Justiça.