Brasília - O aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os eletrodomésticos, que inicia a desativação dos incentivos fiscais que o governo utilizou para lidar com a crise, desagradou a fabricantes e varejistas, que já calculam quedas nas vendas. Já os consumidores só devem sentir a partir de março o impacto do fim da medida nos preços dos produtos.
A tributação reduzida para geladeiras, fogões, tanquinhos e máquinas de lavar de baixo consumo de energia acaba amanhã, de acordo com o cronograma estabelecido em outubro do ano passado. No entanto, o retorno das alíquotas maiores ainda não deve ser repassado para mercadorias porque o comércio já finalizou as encomendas para os estoques dos próximos 30 dias.
O grupo Pão de Açúcar, que também controla as redes Extra, Ponto Frio e Casas Bahia, anunciou que não irá repassar o aumento para as mercadorias que já estão nos depósitos. Já o Carrefour informou que seus estoques garantem a manutenção dos preços da linha branca por mais 40 dias.
A Câmara Nacional dos Dirigentes Lojistas(CNDL) já estima uma queda de até 15% nas vendas de eletrodomésticos. A Força Sindical também criticou a decisão e apontou que novas incertezas na indústria podem gerar desemprego.
O fim medida, que já havia sido prorrogada anteriormente em duas ocasiões, sinaliza uma nova postura do governo em relação às renúncias fiscais para incentivar o consumo. Para evitar que o artifício colabore na formação de pressões inflacionárias que estimulem ainda mais a propensão do Banco Central a elevar os juros ao longo do ano, outras desonerações também não devem ser renovadas.
O IPI menor para carros flex e móveis de madeira deve terminar no fim de março. Já os incentivos para caminhões e materiais de construção acabam em junho.
Os empresários do setor de linha branca agora esperam negociar com o governo uma redução definitiva ao menos para as máquinas de lavar, cuja alíquota de 20% é considerada defasada, porque foi estabelecida quando o bem era considerado artigo de luxo.
Para Andrew Frank Storfer, diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças(Anefac), não deve haver uma corrida às lojas para compras no último período de validade dos incentivos, uma vez que a maior parte das vendas desses produtos ocorreu em 2009.