Flórida - Militares americanos suspenderam, ontem, o transporte de vítimas do terremoto do Haiti para os Estados Unidos para tratamento médico. O motivo, informa o jornal americano “The New York Times”, foi o pedido de verba para custeio dos atendimentos feito pelo governador do Estado da Flórida, Charlie Crist, ao governo federal.
“Temos de ter um destino para levá-los”, disse o capitão da Marinha Kevin Aandahl, porta-voz do Comando de Transportes americano, ao justificar a suspensão dos voos.
“Se a Flórida não os aceitar (os doentes), e eu não posso confirmar isso, mas acho que a Geórgia fez um pronunciamento similar. Então se não podemos levá-los a lugar algum para tratamento, eles ficarão no Haiti.”
Ele afirmou que os voos pararam na quarta-feira. “O fato de os voos médicos não estarem sendo realizados não significa que os haitianos que precisam de atendimento não o terão”, afirmou Aandahl. “Temos as instalações médicas novamente na ilha e no mar.”
Sterling Ivey, porta-voz do governador da Flórida, Charlie Crist, disse ao “NYT” que o pedido de ajuda federal pode ter gerado “confusão”. “A Flórida está pronta para ajudar os vizinhos do Haiti, mas precisamos de um plano de ação e reembolso para os atendimentos que estamos providenciando”, afirmou Ivey.
O governador Crist não especificou o quanto custa à Flórida o serviço médico dado, mas o número e a complexidade dos casos eleva a cifra a vários milhões de dólares, garantiu.
Os hospitais da Flórida trataram de mais de 500 vítimas do terremoto, incluindo um menino resgatado dos escombros com o crânio e várias costelas quebradas. Os voos para outros Estados que recebiam pacientes haitianos também foram suspensos.
Essa suspensão poderá ser catastrófica para os pacientes, afirmou o médico Berth Green, co-fundador do Projeto Medishare para o Haiti, uma ONG ligada à Miller School of Medicine da Universidade de Miami, que realiza a retirada de feridos.
Mercado paralelo
A falta de abastecimento e a proximidade da época de chuvas, em março, criaram mercados paralelos de água suja e de lonas para barracas na região metropolitana de Porto Príncipe, relatou, ao chegar hoje do Haiti, o sociólogo Rubem Cesar Fernandes, da ONG Viva Rio.
“A água vem de um bairro com muitos lençóis subterrâneos, onde, agora, o cara (morador) fura um poço, senta em cima, vira ‘o dono’ e fica vendendo. A água potável é caríssima, então, a maioria pobre bebe água suja mesmo.”