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Delícias escondem perigosas doenças

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

O pequeno poder de saciedade de alimentos constituídos basicamente pela sacarose ou ricos em carboidratos, aliado a alta taxa calórica gerada, principalmente pela grande quantidade de consumo, formam uma equação com resultado explosivo para o organismo, como alerta a endocrinologista Ellen Paiva, diretora do Centro Integrado de Terapia Nutricional (Citen), de São Paulo. “É um resultado sempre muito amargo e um dos responsáveis pela epidemia de obesidade e diabetes em todo o mundo”, alerta a médica.

Procede o sinal amarelo quanto ao aumento de doenças relacionadas ao excesso de peso e consumo em demasia de alimentos ricos em açúcar - ou pior, com a conjugação de ambos. Segundo dados do Ministério da Saúde, apenas no Brasil são 11 milhões de diabéticos, sendo que 43% da população está acima do peso considerado ideal.

“Antigamente era vista grande concentração de pessoas obesas nos Estados Unidos. Hoje, no entanto, o brasileiro não sente mais esse impacto, pela grande quantidade de pessoas obesas aqui no País. Copiamos deles os defeitos nossos”, observa o médico otorrinolaringologista Yotaka Fukuda, autor do livro: “Açúcar, Amigo ou Vilão?” (Editora Manole). “Tem gente que toma dois litros de refrigerante por dia”, lamenta o médico.

Exemplo em que o açúcar contido nos alimentos naturais pode ser bem aproveitado, fazendo com que a substância da comida industrializada pode ser dispensada, é dado pelo engenheiro José Roberto Eleutério de Oliveira, diretor da Associação dos Diabéticos em Bauru.

“É uma questão de estilo de vida”, comenta o diabético, que baniu o açúcar industrializado de sua vida há 18 anos. “Fui radical, mas não sinto falta”, testemunha. “O que eu mais gostava era de mastigar açúcar cristal”, diverte-se. “Antes eu não comia verdura, hoje não passo sem”, compara Oliveira.

Mas ele confessa um deslize: “Não consigo comer carne sem gordura. Não abro mão, assumo”, admite. “Mas hoje em dia também é mais fácil, temos muita coisa boa que é livre de açúcar, entre elas excelentes sorvetes”, ilustra o diretor da associação, que em Bauru congrega 2.700 diabéticos. “Mas é claro que na cidade esse número é muito maior”, alerta.

Labirintite

Além do diabetes, frisa o otorrinolaringologista Yotaka Fukuda, o excesso de açúcar também pode causar a labirintite – desordem do equilíbrio mediante processo inflamatório no ouvido. Seus principais sintomas são vertigem, desequilíbrio, possibilidade de movimento involuntário dos olhos, bem como náusea, ansiedade, e mal estar provocado pelos sinais distorcidos que o cérebro recebe do ouvido.

Para saber mais sobre a atuação da Associação dos Diabéticos de Bauru, o telefone é (14) 3224-2908.

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