Os atos de vandalismo em Bauru consumiram cerca de R$ 285,6 mil dos cofres públicos municipais em 2009. Com o dinheiro, daria para recapear pelo menos 30 ruas ou construir oito casas populares, no valor de R$ 35 mil cada, para ajudar a diminuir o déficit de habitação na cidade.
Além disso, o montante gasto pelo Poder Executivo para cobrir as pichações ou repor o material danificado equivale a mais da metade do orçamento que a Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear) obteve em todo o ano passado.
Em 2009, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) instalou 160 lixeiras novas nas principais ruas do município. Do total, 25 foram depredadas. Os recipientes foram implantados entre abril e maio de 2009 na intenção de deixar a cidade mais limpa. De acordo com a assessoria de comunicação da empresa, cada uma custou R$ 95,50, totalizando um prejuízo de R$ 2.437,50. Parece pouco, mas daria para atender quase 100 famílias pobres com o benefício do programa de transferência de renda do governo federal, Bolsa Família.
Mas, na conta da Emdurb, o que pesa mesmo são os gastos com o conserto de placas de sinalização e semáforos vítimas de vandalismo que, diariamente, são encaminhados às oficinas. Por mês, a empresa tem de desembolsar R$ 20 mil para repor o material deteriorado com a ação de vândalos. Nos quatro cemitérios de Bauru, cercas elétricas e pintura são alvos constantes dos marginais. Por ano, a empresa gasta aproximadamente R$ 6 mil para reparar esses danos. Na conta da criminalidade contra o patrimônio público, a Emdurb também gasta para consertar pontos de ônibus, cerca de R$ 45 mensais.
O prejuízo não para de crescer. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) calcula que, por ano, gaste cerca de R$ 30 mil para repor as torneiras de bebedouros arrancados - principalmente os da avenida Nações Unidas - e fazer a pintura de locais que foram alvos de pichações.
Já a Secretaria Municipal de Obras informa que, em média, são trocadas anualmente cerca de 2 mil lâmpadas, o que corresponde a aproximadamente R$ 120 mil além de cerca de 300 tampas de bocas de lobo com custo total estimado em R$ 13.500,00. Desse total, 5% ocorre devido a atos de vandalismo.
É crime
O que muita gente não sabe é que a prática do vandalismo é considerada criminosa e prevista no Código Penal Brasileiro. O ato de destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia pode render ao autor pena de até três anos de detenção.
Para o presidente do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança Centro/Sul, Olavo Pelegrina, o vadandalismo também é uma questão de educação. “A essência é a educação e o descomprometimento com a coisa pública. Bauru tem uma característica: nós não temos uma história de praças e de áreas de lazer bem cuidadas, de uma cidade limpa e bem iluminada, ao longo nos últimos 20 anos. Nós tivemos desmandos, prefeitos presos e a cidade sofreu por isso. Bauru não tem uma história de praças bonitas, bem cuidada, bem iluminada, tivemos uma praça da Paz e Rui Barbosa, mas há muitos anos. Nós não temos uma cultura de acesso público, de lazer público. Tudo que era público, era um cacareco. Vejo também como um descomprometimento do poder público, que acaba sendo um incentivo”, afirma.
Segundo Pelegrina, a mudança nesse contexto passa pela descentralização das áreas de lazer. “Todos os locais de lazer não podem estar concentrados na região central e sul da cidade, porque há um descomprometimento com a pessoa que não reside nessa parte da cidade. Então, deve haver área de lazer nos bairros, para que as pessoas possam ter responsabilidades sobre esses bens.”