Uma reunião ainda sem data definida entre representantes do comércio bauruense e dirigentes da Escola Técnica Estadual (Etec) Astor de Mattos Carvalho, de Cabrália Paulista, deverá resultar no lançamento de um curso voltado para a formação de vendedores.
Apesar da economia da cidade ser fortemente influenciada pelo setor comercial, não há mão de obra especializada no mercado. A formação e a especialização dos funcionários fica a cargo dos próprios estabelecimentos.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, essa é uma iniciativa de suma importância para o setor, uma vez que o comércio não conta com trabalhadores preparados para suprir as necessidades do mercado.
“É muito difícil formar mão de obra. Temos de nos preocupar com outras coisas. Se tiver uma escola para formar esses trabalhadores será excelente”, afirma. “Assim como a indústria tem o Senai formando mão de obra especializada, nós gostaríamos de ter a Etec formando gente capacitada para atuar no comércio também”, diz.
Caberia às lojas apenas aprimorar o atendimento de acordo com a especialidade de cada uma. O curso serviria para dar uma noção geral de como funciona o comércio, o crediário e o relacionamento com o cliente. “Ajudaria muito se os funcionários novos já soubessem como tratar o consumidor e como abordá-lo. Restaria à loja ensinar o seu padrão de atendimento. A noção geral o funcionário já chegaria sabendo.”
Segundo ele, tem muitos funcionários bons no comércio, mas muitos deixam a desejar e essa deficiência poderia ser contornada com a ajuda da escola.
De acordo com o Benone Cabelo Batista, presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio de Bauru, há cerca de cinco anos a cidade ofereceu cursos para a formação de mão de obra para o comércio com a ajuda de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). No entanto, o curso funcionou por apenas seis meses e teve de ser desativado por falta de verba. Segundo ele, há perspectiva de que o curso volte a ser oferecido em breve, mas por enquanto não tem nada definido.
A vendedora Angélica Parron está na profissão há 4 anos. Assim como todos os seus colegas, ela aprendeu a exercer a função na prática. Apesar das dificuldades naturais, ela não teve muitos problemas para se adaptar. O fato de trabalhar com público desde os 16 anos foi citado por ela como primordial para a rápida adaptação.
Segundo ela, lidar com as pessoas exige muita paciência. “Tem de ter muito jogo de cintura. Nem todos os clientes chegam bem-humorados e é preciso contornar isso da melhor maneira possível”, ensina. De acordo com Angélica, tem de gostar muito da profissão para continuar nela. “É muito desgastante. Quem não está preparado, não aguenta”, afirma.