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Minha história: ‘Ovação’ por atos sujos


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Gosto muito de escrever e, por causa disso, estou sempre procurando melhorar o meu vocabulário. Dessa forma, hoje conheço perfeitamente o significado da palavra “ovação”. De acordo com o dicionário, “ovação” é uma espécie de aclamação pública, um reconhecimento por alguma coisa realizada. No entanto, no tempo em que eu era uma criança inocente e, pela primeira vez, me deparei com tal palavra, achei que “ovação” significava jogar ovos nas pessoas. Sério!

Sabe aquele clichê, bastante comum nos desenhos animados, quando um espetáculo apresentado é ruim e as pessoas jogavam ovos nos artistas? Pois bem, era essa a concepção absurda que eu tinha a respeito da referida palavra. No entanto, depois de alguns fatos constatados por mim em um dos empregos que tive, imaginei que a minha concepção infantil de “ovação”, dependendo da situação, talvez pudesse até fazer um pouco de sentido.

As “baladas” mais quentes do fim-de-semana, de acordo com a tradição, sempre tiveram o seu início nas noites de sexta-feira. Dessa forma, há muitos anos atrás, os meus amigos de trabalho, como era de esperar, costumavam sair nesse período para se divertir, ou seja, uma diversão que consistia em ficar acordado até tarde da noite e beber todas, como ditava o costume. O único inconveniente era que, no dia seguinte (sábado), tínhamos que trabalhar meio período. Assim, por esse motivo, eu nunca estava presente com meus amigos nessas ocasiões, pois sabia que o meu rendimento no trabalho, no dia seguinte, ficaria totalmente comprometido.

Apesar de não beber, eu sempre fui um tipo de pessoa que precisa dormir uma determinada quantidade, fixa, de horas por noite. Caso fique acordado até altas horas da madrugada, certamente não vou conseguir trabalhar de maneira satisfatória no dia seguinte, por causa da sonolência.

Como era de esperar, os abusos cometidos, na noite de sexta-feira, causavam alguns atos “desastrosos” no dia seguinte: boa parte de meus amigos vinha trabalhar quase “caindo” de sono, enquanto outros chegavam até a faltar do serviço, por estarem sentindo, na pele, os efeitos do álcool.

Apesar de não concordar com tais abusos, nunca havia questionado os meus amigos por causa dos mesmos. Isso até o dia em que descobri, por meio de fofocas (tão comuns em qualquer empresa), que estava sendo menosprezado pela minha atitude. Em outras palavras, estava sendo taxado de “bobo” por algumas pessoas pelo fato de não comparecer às “baladas” e não aproveitar tudo de “bom” que elas tinham a oferecer. Resumindo: “balada” era coisa de pessoa esperta e “descolada”, ficar em casa à noite, descansando, era coisa de pessoa “careta”.

Confesso que, de início, fiquei bastante chateado com esses comentários feitos ao meu respeito. Afinal, eu estava sendo condenado por ter tomado uma atitude correta, enquanto os outros estavam sendo aclamados por terem cometido uma atitude ilícita. No entanto, num segundo momento, comecei a questionar melhor toda essa situação e acabei, concluindo, que esse tipo de injustiça não se trata de uma coisa nova: pelo contrário, é algo muito comum, em qualquer segmento da sociedade.

Afinal, quem ganha a fama de “garanhão” entre os amigos não é sempre aquele rapaz que vive traindo a sua namorada com muitas outras mulheres? Quem ganha a fama de “esperto” não é sempre aquele falsário que consegue enganar as pessoas de boa-fé com os seus golpes sujos? Quem ganha fama de “valente” não é sempre aquele brutamontes que vive agredindo as crianças menores na escola?

Agora eu pergunto: qual dos dois significados da palavra “ovação”, citados por mim anteriormente, se encaixaria melhor, no caso dessas pessoas que são aclamadas por atos ilícitos? Acredito que seria a minha concepção dos tempos de criança, apesar de não ser a verdadeira. Afinal, quem pratica atitudes erradas mereceria “tomar uns ovos na cabeça” ao invés de ser aclamado pelos seus erros.

No entanto, é melhor eu finalizar esse assunto por aqui: não pretendo ser ovacionado, pelo leitor, por estar divulgando um significado errado para a palavra “ovação” e, dessa forma, contradizer tudo o que escrevi até aqui. Grande abraço a todos!

Alexandre Braz Gardiolo

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