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Metro quadrado mais caro de Salvador vira reduto de sem-terra


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Salvador - O Fórum Social Mundial Temático Bahia (FSMT-BA), que é realizado até hoje, em Salvador, provocou uma situação inusitada na Capital baiana: a região de metro quadrado mais caro da cidade é, nestes dias, reduto de integrantes de movimentos sociais de luta pela terra e de sindicatos e associação de trabalhadores.

Pelo arborizado trecho da avenida Sete de Setembro conhecido como Corredor da Vitória, onde mora boa parte dos principais empresários e artistas baianos, em prédios suntuosos, por entre vistosos carros importados que circulam pela região, passam agora manifestantes com bonés do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), sindicalistas empunhando bandeiras da Federação de Trabalhadores da Agricultura (Fetag) de diversos Estados e grupos carregando grandes balões infláveis de centrais sindicais como a Única dos Trabalhadores (CUT) e a dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Sem falar de milhares de associados de grupos estudantis, associações de classe e ativistas ambientais e de direitos humanos. O “choque de realidades” acontece porque a maioria dos eventos programados para o FSMT-BA é realizada nos arredores da avenida, em pontos como os Hotéis Tropical da Bahia, Sol Barra e Sol Bahia Victoria e o Teatro Castro Alves (TCA).

De acordo com a organização do evento, não houve meios para programar as ações em outros espaços. O Centro de Convenções da Capital, palco óbvio para grandes encontros no município, passa por reformas. Os campus da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que seriam a primeira alternativa, ficam muito espalhados, o que tornaria inviáveis as opções de transporte para os participantes de mais de um evento.

Apesar da “distância” financeira entre os grupos, não foi registrado nenhum tipo de “conflito”. Pelo contrário: o que mais se percebe é a curiosidade sobre a vida do outro. Pela manhã, na frente de um dos edifícios da via, um grupo de moradores conversava, animadamente, com um grupo de sem-terra.

Um deles perguntou quanto custava um apartamento no local. Um tanto constrangido, o advogado Alexandre Góes respondeu: “Por volta de R$ 2 milhões”, para espanto do outro grupo. Mas um deles rebateu: “Mas vale tudo isso?”, provocando gargalhadas dos dois lados.

‘Flexibilização social’

No discurso no Fórum Social Mundial Temático Bahia (FSMT-BA), no qual representou o presidente Lula, o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, listou ontem, entre os desafios que acredita ser importantes para o País, a “institucionalização da função social da propriedade e do lucro”.

“Ninguém discute o direito de propriedade, mas está na hora de cobrar a função social da propriedade, para ampliar o número de proprietários do País”, acredita. “Isso tem relação com reforma agrária, com melhores condições de vida e de trabalho para a população. A propriedade de uma casa, de ferramentas de trabalho, tem de ser direito de todos e não podemos aceitar que o direito à propriedade seja maior que o direito à dignidade humana, como vemos. Os bens materiais têm de estar a serviço de um bem maior, o direito à vida.”

Para Patrus, o mesmo raciocínio vale para o lucro empresarial.

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