O taxista Rui Francisco Martins, vítima de assalto e rapto há pouco mais de um mês (quando teve seu veículo roubado por criminosos e foi deixado amarrado em uma estrada em Ribeirão Preto), entrou em contato com a redação do Jornal da Cidade para reclamar que a segurança no Terminal Rodoviário de Bauru, onde trabalha, continua precária.
Segundo Martins, no final do ano passado, ao atender pedido de corrida feito por dois homens até Ribeirão Preto, a dupla informou que precisava buscar uma pessoa no Parque Jaraguá. Quando chegou no local, ele foi rendido pelos dois assaltantes, amarrado, trancado dentro do porta-malas do seu próprio carro, e levado para Ribeirão, onde foi deixado em uma estrada próxima ao bairro do Tanquinho.
A dupla fugiu com seu veículo, dinheiro e documentos pessoais. Depois de cinco horas, o homem conseguiu livrar-se das amarras, caminhar até uma padaria e acionar a polícia.
Na época, o tenente-coronel Benedito Roberto Meira, então comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPMI), disse que o patrulhamento no Terminal Rodoviário era feito por viaturas da Base Norte, que estacionavam no local por pelo menos 30 minutos a cada duas horas, durante todo o dia.
O taxista contesta essa informação e afirma que não vê, durante todo o seu período de trabalho, nenhuma viatura estacionada nas imediações. De acordo com ele, durante o dia, o patrulhamento acontece, em média, a cada duas horas. “Depois das 20h, se passar (a viatura), é de duas horas e meia em duas horas e meia”, diz. “O ideal seria pelo menos um policial de dia e dois policiais à noite, permanentemente”.
Na opinião de Martins, somente o fato da PM estar instalada no local iria coibir a ação de muitos criminosos. “Depois do que aconteceu comigo, quatro rapazes agrediram um taxista”, revela. A discussão que deu origem à agressão, conta, teria ocorrido porque o grupo de jovens estacionou irregularmente no local, impedindo o trânsito de veículos. “Nem o azulzinho estava aqui. Se estivesse, não teria acontecido”, afirma.
E as reclamações não param por aí. Somente na última semana, segundo ele, foram registradas duas situações atípicas no local. Em uma delas, um jovem solicitou uma corrida de táxi até o Núcleo Mary Dotta. “Só que ele disse que, no caminho, tinha que passar pegar um outro rapaz”, relata. Desconfiado, o taxista não fez a corrida. “Um dos nossos companheiros aqui ligou durante meia hora para a polícia”, diz. “Se tem um policial aqui, eu o chamo ou alguém chama, ele vai e aborda a pessoa”.
Na segunda ocorrência, de acordo com Martins, o profissional não teve a mesma sorte. “Há quatro dias atrás, ligaram no nosso telefone fixo e pediram uma corrida no Beija-Flor. Quando o taxista chegou lá, foi assaltado”, revela. Um dos pontos que ajuda a minimizar a sensação de insegurança, segundo ele, são os profissionais que realizam a segurança particular do Terminal Rodoviário. “Ajuda, mas não resolve”, diz.
O taxista conta que, em um ano e dois meses trabalhando no Terminal Rodoviário, foi assaltado apenas uma vez, mas que a maioria dos seus colegas de trabalho, cerca de 52 em dois turnos diferentes, já foi vítima de roubo. “É uma profissão arriscada. São 24 horas correndo risco. E se a gente não fizer nada, vamos ficar nas mãos deles (criminosos)”, reclama. “Tem gente que vem de outra cidade, ficam sentadas aqui e tem que pousar aqui porque só vai ter ônibus no outro dia de manhã que ficam a mercê desse pessoal”.
José Rodrigues Filho, que trabalha há seis meses no ponto de táxi do Terminal Rodoviário, também contesta a segurança realizada pela Polícia Militar no local. “Hoje, a gente não tem segurança. Nós, aqui, só contamos com a segurança da rodoviária. Polícia não aparece”, reclama. “Foi falado para gente que ia ficar uma viatura parada aqui pelo menos trinta minutos, a cada duas horas. Isso nunca aconteceu”.
O taxista Deusdeddes de Araújo, que trabalha há quatro anos no local, pede que a PM estude a possibilidade de instalar uma base permanente na rodoviária. “Tem segurança aqui da Emdurb. Mas eles têm que tomar conta da rodoviária”, afirma. “Eu acho que devia ter uma base policial pra dar segurança para nós e para o público. Tem muitos casos aqui que, se a polícia estivesse aqui, resolveria”.
O major Reginaldo de Souza Braga, que assumiu o comando do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPMI) na semana passada, informou que vai reunir-se hoje com todos os oficiais da PM para discutir o assunto, sobretudo com o comando da 4.ª Cia da PM, responsável pela segurança da área.
De acordo com ele, o aumento das ocorrências aos finais de semana compromete uma atuação mais efetiva da PM no local. “Isso vem sendo feito quando nós temos patrulhas disponíveis”, afirma. “Vamos conversar a esse respeito e verificar, inclusive, a possibilidade da gente dar um reforço com a Rocam (motocicletas) e outras viaturas.