O tom dos discursos dos vereadores que ocuparam a tribuna ontem, durante a 1ª sessão do Legislativo de 2010, foi de recado ao chefe do Executivo: acabou o período de tolerância com o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). Os parlamentares querem soluções para os problemas do município e antecipam que vão cobrar o cumprimento do planejamento.
“Precisamos de planejamento. Nós tivemos mudanças no secretariado da prefeitura. Não sei de que forma a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) pretende atuar. Este ano, temos assuntos importantes para resolver, como a questão da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) e o tratamento de esgoto”, afirmou o vereador Amarildo de Oliveira (PPS).
O socialista Paulo Eduardo de Souza destacou que o projeto de implantação do Instituto de Planejamento Municipal deverá ser encaminhado à Câmara em breve e, com isso, Bauru ganhará um instrumento a mais para corrigir um de seus problemas mais críticos: a falta de planejamento. “Bauru tem muito para evoluir”, resumiu em tom mais ameno o situacionista Natalino da Pousada (PV).
Para Fabiano Mariano (PDT), este é o ano da esperança. “Para que as coisas ocorram da melhor maneira possível na saúde, com as Unidades de Pronto-Atendimentos (UPAs), com o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) da Secretaria Municipal da Saúde, que ninguém saia prejudicado, que Bauru consiga o tratamento de esgoto e a dívida da Cohab seja sanada”, discursou.
Treze vereadores fizeram uso da tribuna na 1ª sessão do ano. Dois deles, Roberval Sakai (PP) e Roque Ferreira (PT) se inscreveram, mas o tempo regimental se esgotou e eles não conseguiram utilizar o microfone.
Zoneamento
O demista José Roberto Segalla aproveitou o gancho do discurso de Mariano e disse: “Esperança que tudo aquilo que nós tínhamos de que se realizasse em 2009 se realize neste ano, porque a cidade continua suja, com problemas. Precisamos ter esperança e arregaçarmos as mangas. Mas, começamos mal”, afirmou.
“Além das reclamações com o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), tem muitos munícipes reclamando. Enquanto a lei de zoneamento não é enviada para esta Casa, muitas ruas são transformadas em corredores comerciais, moradores são incomodados com barulho e movimento de carros. Precisamos mudar isso. É preciso ver o impacto na vizinhança”, completou.
O vereador fez um discurso entusiasta em relação ao problema e citou exemplos, como da nova choperia que está sendo inaugurada próxima a escolas e uma igreja na esquina da Comendador Martha, no Jardim Estoril. Outros colegas entraram na discussão e cobraram o envio do projeto de zoneamento para disciplinar a questão. Ao final do discurso, Segalla chegou a ser aplaudido pela plateia que acompanhava a sessão, sendo alguns dos presentes interessados diretamente no tema.