Assisti na mídia o caso da cabeleireira que recebeu nove tiros do insano marido, sendo que ela por diversas vezes procurou a Delegacia da Mulher e a polícia, mas pela omissão destes ela acabou morrendo. Eu me pergunto: será que os que se omitiram não são os verdadeiros culpados pela morte dela? Eles deveriam responder pela omissão?
Digo isso porque eu também passei por problema semelhante. Fui traída e ameaçada por anos, foi dopada duas vezes, pois o “santo” não queria que eu falasse. Da primeira vez fui afastada dos “pseudos” amigos, da segunda o caso foi muito grave. Eu, um pouco dopada, procurei ajuda em instituições, mas fui sozinha, não tive apoio, então fui com meu filho maior de idade à Delegacia da Mulher, mas o descaso foi total, nem fizeram BO.
Como a violência aumentou e por diversas vezes ele apertou minha garganta, o que resultou num espessamento dentro desta, o que afeta até hoje a minha fala, o meu filho achou melhor fugirmos, procuramos uma magnífica advogada, que foi comigo à Delegacia da Mulher e aí eles se desdobraram para me atender bem, fizeram os dois BOs. Mas esse bom atendimento foi por eu ter ao lado uma advogada? Se ela não tivesse acreditado em mim e me ajudado, hoje eu não estaria escrevendo esse relato, pois precisei de transfusão de sangue e levei quatro meses para me recuperar.
Por que as pessoas que ganham para dar apoio a quem precisa não cumprem o seu dever? Eu tive sorte de ter um bom filho e dinheiro para fugir, pagar advogada e me tratar, mas e as que não têm? Sofrem violência moral e física, passam por loucas, morrem.. E os que a seviciaram, continuam passando por santos usufruindo dos bens de ambos? Por favor, em “briga de marido e mulher” se mete não só a colher, mas também a lei e o amparo à pessoa sofrida. Cumpram o seu dever com amor, salvem a mulher, pois em nossa sociedade o homem ainda é o mais forte. Acorda, Bauru.
Zelinda V. da Silva