Um dos principais problemas de saúde pública no País, a hipertensão arterial acomete cerca de 30% da população brasileira. Em Bauru, este índice representa quase 108 mil moradores, que estão suscetíveis a crises hipertensas como a sofrida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última semana, no Recife (PE).
Chamada de “assassina silenciosa”, a pressão alta é traiçoeira porque, normalmente, não apresenta sintomas e só provoca mal-estar quando já prejudicou bastante o organismo. A ausência de qualquer indício de problema faz com que metade dos 108 mil hipertensos da cidade simplesmente desconheçam que estejam doentes.
E mesmo os pacientes que têm consciência do seu quadro muitas vezes interrompem o tratamento porque se sentem bem. “Alguns acham que não precisam tomar remédio porque não estão se sentindo mal. Para se ter uma ideia, apenas 15% dos hipertensos conseguem fazer um controle adequado da doença”, diz o cardiologista Christiano Barros, presidente regional da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.
Ele explica que a hipertensão ocorre quando o sangue exerce uma pressão muito forte na parede das artérias para se movimentar, ficando o valor desta pressão igual ou maior a 140/90 milímetros de mercúrio (mmHg), ou 14 por 9. “Nesse indivíduo, a chance de infarto é 20 a 30 vezes maior do que em uma pessoa que tenha pressão arterial de 12 por 8, considerada ideal independentemente da idade, sexo e raça”, acrescenta Barros. Na semana passada, a pressão do presidente Lula atingiu o patamar de 18 por 12.
A hipertensão arterial não tem cura e, se não for controlada, ao longo dos anos pode trazer como consequência problemas graves como derrames, doenças do coração – entre elas infarto, insuficiência cardíaca e angina (dor no peito) -, insuficiência renal ou até falência dos rins, e alterações na visão que podem causar cegueira.
Riscos
Barros explica que a pressão alta surge, geralmente, em indivíduos entre 30 e 50 anos de idade. Conforme dados do Ministério da Saúde, depois dos 55 anos, 90% dos indivíduos correm o risco de desenvolver hipertensão, mesmo que tenham tido pressão normal até então.
Embora seja uma doença de múltiplos fatores, o médico salienta que parte deles é possível de ser evitada. “Uma alimentação não balanceada, especialmente carregada de sal, pode levar ao quadro hipertensivo, assim como o consumo de bebida alcoólica, o tabagismo, o sedentarismo e a obesidade”, enumera.
Há ainda fatores genéticos e ambientais que favorecem o desenvolvimento do quadro hipertensivo, como o histórico familiar da doença, o fato de pertencer à raça negra e o estilo de vida impostos dentro de uma determinada sociedade.
Alguns sintomas, no entanto, podem ajudar no diagnóstico da doença, como dores na nuca, cansaço, tonturas, ardência nos olhos, dores no peito e formigamento nos braços. Porém, a única forma segura de identificar a hipertensão é checar regularmente a pressão arterial, pois o mal não costuma apresentar sintomas claros em seu estágio inicial.
“O diagnóstico da doença é dado através de duas aferições da pressão arterial maiores ou iguais a 14 por 9, feitas em dias diferentes, em que o indivíduo não pode ter ingerido café, realizado atividade física ou fumado até meia hora antes”, comenta.
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Como controlar a doença
Quem já teve o quadro hipertensivo diagnosticado precisa manter a doença sobre controle. Para essas pessoas, é recomendado o consumo diário máximo de sal de uma colher de chá.
Além disso, é preciso aferir a pressão arterial regularmente, reduzir ou abandonar o consumo de bebidas alcoólicas, manter-se no peso adequado (a cintura não deve medir mais de 94 centímetros para os homens e 80 centímetros para as mulheres), ter uma alimentação saudável, praticar atividades físicas ao menos cinco vezes por semana, parar de fumar e controlar o estresse.
“A medicina também conta com um arsenal terapêutico para o controle da doença. Cada indivíduo responde melhor a um tipo de medicação e, por esse motivo, é tão importante ter o acompanhamento de um médico e, principalmente, nunca interromper o tratamento”, frisa o cardiologista Christiano Barros. Segundo o cardiologista, 33% das mortes registradas por ano no Brasil estão relacionadas a doenças cérebro-vasculares, sendo 16,5% ligadas à hipertensão não-controlada.
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Pressão baixa não é problema
Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhecer como pressão ideal a 120/80 milímetros de mercúrio (mmHg), ou 12 por 8, o cardiologista Christiano Barros afirma que valores mais baixos não indicam, necessariamente, um problema. “Ao contrário da pressão alta, a baixa, sem sintomas, não é doença. Quem costuma ter pressão 10 por 7 ou 9 por 6 não precisa se preocupar porque, nesses casos, o risco cardiovascular é menor”, conta. Segundo o médico, sintomas de hipotensão podem ser tontura, escurecimento da vista e desmaio, mas eles geralmente ocorrem por causas sem maiores repercussões como, por exemplo, uma hipoglicemia ou excesso de calor. “É uma situação específica, não uma doença”, salienta.