Porto Príncipe - A ajuda humanitária enviada ao Haiti por meio de aviões e embarcações não chega às vítimas do tremor do último dia 12 com a velocidade necessária, devido a restrições nos transportes e outras dificuldades. A lentidão causa tensão e desencadeia violência.
Anteontem, o premiê do Haiti, Jean Max Bellerive, afirmou que o governo já contabilizou mais de 200 mil mortos. O número não inclui corpos que ficaram sob escombros nem as vítimas enterradas por suas próprias famílias. Cerca de 1 milhão de pessoas estão desabrigadas.
Haitianos e funcionários de organizações estrangeiras dizem que a ajuda está sendo enviada, mas expressam frustração com a lentidão na distribuição de alimentos a partir do porto e do aeroporto de Porto Príncipe, onde os mantimentos estão chegando.
“Não há uma liderança centralizada (...) e desde que o governo haitiano passou a controlar os mantimentos, temos que esperar para receber itens, mesmo que eles estejam estocados”, disse o médico americano Rob Maddox de Start (Louisiana), que atende dezenas de pacientes no hospital da capital haitiana. “A situação é uma loucura”.
As falhas de comunicação entre haitianos e equipes estrangeiras são frequentes. “A ajuda está sendo freada no aeroporto de Porto Príncipe e não chega às vítimas”, disse Mike O’Keefe, que coordena a movimentação aérea de Banyan, em Fort Lauderdale.
Caixas de medicamentos e curativos se acumulam em depósitos no hospital da capital. Segundo médicos, desde que haitianos passaram a controlar o armazenamento, a burocracia atrasa a ajuda às vítimas, fazendo com que se perca tempo crucial para salvar vidas.
Doadores também apontam problemas graves de logística: lidar com um governo que quase não existe, danos extensos no porto local, excesso de tráfego aéreo e falta de segurança.
Agências humanitárias dizem que o envio de alimentos e água dobrou nos últimos dez dias, mas que funcionários estão frustrados com o tempo que os itens ficam em depósitos da ONU.
Navios e aviões
Ontem, funcionários da ONU informaram que mais de cem navios estão a caminho do Haiti, mas que Porto Príncipe tem capacidade limitada.
O trajeto entre o aeroporto, que fica na região leste da cidade, até a área oeste pode levar mais de três horas. Deslocar-se à noite pela cidade é uma operação arriscada, já que quase não há iluminação pública e muitos desabrigados estão dormindo nas ruas.
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Temporada de chuvas preocupa
Porto Príncipe - Sentado em uma mesa sob um monte de lençóis, David Delva tenta compilar uma lista de cerca de 12 mil pessoas que agora vivem em um campo aberto ao lado do morro de uma favela que desabou no terremoto que devastou o Haiti em 12 de janeiro.
Após deixarem suas casas, os moradores do local rapidamente construíram barracos improvisados com papelão, lençóis, chapas de metal e plásticos, similares às centenas de campos de sobreviventes espalhados pela Capital.
Com a temporada das chuvas ameaçando aumentar ainda mais a miséria de mais de 700 mil vítimas desabrigadas pelo terremoto acampadas pela capital, o governo do Haiti e seus parceiros internacionais debatem agora com urgência como e onde abrigar os sobreviventes enquanto avançam os trabalhos de recuperação.
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Premiê haitiano crítica imprensa dos EUA
Porto Principe - O premiê haitiano, Jean-Max Bellerive, fez duras críticas ontem à imprensa americana, alegando que a prisão dos dez missionários batistas, acusados do sequestro de 33 crianças haitianas na última sexta, está desviando a atenção das vítimas do terremoto do dia 12 de janeiro.
Ele afirmou não querer que o caso influencie no envio de ajuda humanitária pelos EUA. “Vocês estão falando comigo como se não houvesse tráfico de crianças. Acho que isso (a prisão dos missionários) é uma distração em relação ao que o povo haitiano está passando.”
“Vocês estão prestando mais atenção em dez pessoas (americanas) do que em 1 milhão (de haitianos) que estão sofrendo”, disse Bellerive a emissora TV dos EUA.
Ele foi questionado pela imprensa americana diversas vezes durante a tarde de ontem sobre o destino dos missionários e disse que a solução deve ser dada pela Justiça local.
“Eu não sou juiz. No Haiti, o governo e a Justiça são independentes. Só o que eu posso fazer é garantir que eles sejam bem tratados durante o processo. O julgamento deve ser rápido e, se forem inocentes, em breve estarão em casa. Se não, vão para a cadeia.”