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Homem é flagrado ao tentar subornar testemunha no DF

Folhapress
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Brasília - O servidor aposentado Antônio Bento da Silva, filmado durante uma suposta tentativa de suborno a uma testemunha do inquérito que investiga o suposto esquema de corrupção no Distrito Federal, está preso em uma cela da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília. Silva, que faz parte do Conselho Fiscal do Metrô do Distrito Federal, já prestou depoimento à PF e passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). No momento do flagrante, que foi armado pela PF, Silva entregava uma sacola com R$ 200 mil para o jornalista Edson dos Santos, o Sombra. A polícia também já ouviu o jornalista.

Sombra é a principal testemunha de Durval Barbosa, delator do suposto esquema de corrupção que envolve o governador José Roberto Arruda (sem partido), secretários distritais e deputados distritais. A PF suspeita que o dinheiro seria usado para subornar Barbosa - ex-secretário de Relações Institucionais, que filmou Arruda e outros políticos recebendo dinheiro.

Depoimento de Barbosa ao Ministério Público indica que Sombra incentivou que o esquema fosse denunciado. Sombra, ainda de acordo com o depoimento, recebeu cópia dos vídeos que mostram Arruda e outros políticos negociando a suposta propina.

Ao todo, o inquérito do Superior Tribunal de Justiça (STJ) envolve 36 pessoas, entre autoridades do governo local, deputados distritais e empresários. Segundo o inquérito, há indícios da prática dos crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa e passiva, fraude de licitação e crime eleitoral.

Silva, que tentou subornar Sombra, seria servidor aposentado da Companhia Energética de Brasília (CEB). Ele atuaria hoje como gerente comercial de um jornal dirigido por Wânia Luiza, mulher de Sombra.

PF diz que foi avisada

A PF foi avisada há dez dias pelo jornalista Edson dos Santos, o Sombra, de que o servidor aposentado e integrante do Conselho Fiscal do Metrô do Distrito Federal Antônio Bento da Silva o assediava para prestar declarações falsas aos policiais sobre o funcionamento do suposto esquema de corrupção no governo local.

Sombra afirmou à PF que Silva estava interessado em oferecer uma quantia de dinheiro em troca de direcionamentos para seu depoimento. A PF passou a monitorar Silva, que também é gerente comercial do jornal que Sombra tem na cidade.

O jornalista - que é a principal testemunha de Durval Barbosa delator do esquema - teria telefonado anteontem para a Polícia Federal informando do encontro na manhã de ontem em um restaurante, no setor Sudoeste de Brasília, onde foi realizada a prisão em flagrante.

A prisão ocorreu depois de Silva entregar R$ 200 mil - que representaria a primeira parcela do suborno - enrolados em papel pardo dentro de uma sacola de loja. A cena foi filmada pela PF. O áudio da conversa, no entanto, não foi captado.

A PF vai apurar a tentativa de suborno e avaliar se há relação com o suposto esquema de pagamento de propina que envolve o governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido). Se confirmada, essa seria a primeira prisão da Operação Caixa de Pandora, que apura a corrupção no Governo no Distrito Federal (GDF).

Silva foi indicado para o Metrô pelo ex-secretário de governo José Humberto Pires, que também é citado no inquérito do STJ que investiga o caso. Após a prisão em flagrante, Silva e Sombra prestaram depoimento na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, aos delegados Eumiz Antonio Rocha Junior e Alfredo Junqueira. Sombra foi liberado e deixou o local sem falar com a imprensa. Silva está preso em uma cela de prisão da Superintendência da Polícia Federal em Brasília onde deve passar a noite.

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