Bogotá - O projeto de referendo que permitiria a Álvaro Uribe buscar um terceiro mandato consecutivo na Presidência da Colômbia sofreu um revés ontem.
Um dos nove juízes da Corte Constitucional, o relator do caso que analisa a legalidade da proposta, recomendou que o tribunal a rejeite, segundo relato de jornais, rádios e de um político de oposição.
O magistrado Humberto Sierra entregou ontem à corte sua avaliação confidencial sobre o referendo, alimentando o debate sobre o tema na Colômbia a menos de quatro meses da eleição presidencial.
O ex-prefeito de Bogotá e ex-candidato à Presidência, Antanas Mockus, do esquerdista Polo Democrático Alternativo, escreveu em sua página no Twitter que o documento de Sierra se opunha ao referendo. Logo depois, jornais e rádios discutiam detalhes do texto.
O texto de Sierra não é vinculante. Os juízes do tribunal têm 60 dias para divulgar a decisão final sobre a proposta.
Uribe afirmou ontem que esperará com “prudência” o veredicto. O presidente conservador, eleito em 2002, jamais responde quando questionado sobre terceiro mandato, mas intensificou viagens e interrompeu a transmissão de seu programa semanal na TV para proteger-se de futuras acusações de infração da lei eleitoral.
O projeto para fazer Uribe candidato começou em 2008, quando sua base fez milionária campanha para colher mais de um milhão de assinaturas e lançar, por meio de iniciativa popular, referendo para mudar a Constituição e permitir a segunda reeleição - a primeira fora aprovada no Congresso em 2006 em meio a controvérsias.
A proposta teve uma tramitação confusa e questionada no Congresso e agora depende da aprovação da Justiça. Outro problema para Uribe é o tempo hábil para fazer a votação, já que a eleição é em 30 de maio.