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IPMet medirá poluição com raio laser

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Quem observar feixes de luz verde no céu de Bauru na próxima segunda-feira à noite pode ficar tranquilo. Não será nenhum objeto voador não identificado. Aliás, as luzes são identificadíssimos. O Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) vai disparar feixes de raios laser em direção à atmosfera para medir a quantidade de partículas suspensas e gases para um amplo estudo sobre a poluição.

Na verdade, o objetivo é estudar os impactos das queimadas da cana-de-açúcar na qualidade do ar e no clima. Patrocinado pela Petrobrás, o projeto é coordenado pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em parceria com o IPMet de Bauru e Centro de Análise e Planejamento Ambiental (Ceaple) da Unesp de Rio Claro e Centro de Capacitação e Pesquisas em Meio Ambiente (Cepema) de Cubatão.

De acordo com o IPMet, as medições são realizadas em períodos específicos, especialmente quando na época da queima da cana-de-açúcar porque, assim, permite a medição dos níveis de poluição na cidade.

Quando os raios laser são disparados durante o período noturno geram um feixe luminoso de cor verde com muitas partículas brilhantes que, na verdade, é poeira suspensa no ar, explica o coordenador do projeto em Bauru, pesquisador Gerhard Held.

Para as medições dos aerossóis será utilizado o equipamento denominado Lidar. O aparelho utiliza feixes de raios laser que, ao serem disparados em direção à atmosfera, fornecem dados sobre gases e nuvens, em particular nas nuvens do tipo Cirrus, que são mais altas, e que não geram chuva. Além do Lidar, o IPMet conta com um equipamento Sodar, que mede os perfis verticais do vento em três dimensões (até um máximo de 800 metros), através da emissão de ondas acústicas.

Esta será a segunda vez que o IPMet faz esse tipo de medição. Em fevereiro/março de 2004 a pesquisa foi realizada usando-se o aparelho do Inpe, que foi instalado no IPMet. Agora será feito com um aparelho móvel. “O Lidar móvel instalado temporariamente no IPMet é um novo instrumento e está em Bauru pela primeira vez”, diz Gerhard.

Ele conta que as medições anteriores foram experimentais. “Mas observamos bastante aerossóis aqui nas primeiros 2 quilômetros da atmosfera. E agora (no último dia 2) também nas nuvens Cirrus, numa altura de 13-14 quilômetros”, diz.

Os resultados das medições, ressalta Gerhard, serão comparados com os de outros experimentos, realizados em várias épocas do ano em outras regiões. “Agora estamos testando em período sem queimadas de cana. Fizemos medições no câmpus da Unesp em Rio Claro (16 de junho até 15 de outubro de 2009)”, relata. E estão programadas mais medições no IPMet de Bauru durante o inverno deste ano. “E, em agosto, em Ourinhos, durante 30 dias no câmpus da Unesp de lá, no auge da época das queimadas de cana”, conta.

Os feixes de raio lazer serão disparos de dentro do laboratório do IPMet por um buraco na laje. Gerhard ressalta que as medições também serão feitas durante o dia, porém, os feixes de luz estarão invisíveis. Já à noite, estarão bem visíveis.

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