Articulistas

Nossa Escola de Construção Civil

Ralph Ribeiro Júnior
| Tempo de leitura: 3 min

Após seu nascimento, muitas vezes difícil, toda criança precisa de tempo para aprender a engatinhar, depois para dar seus primeiros passos até tornar-se independente. E podemos imaginar esta situação em muitas outras atividades humanas. Os primeiros anos de vida de qualquer projeto exigem cuidados especiais até a sua consolidação. É o que acontece com a Escola da Construção Civil do Senai-Bauru, que ainda não completou sequer um ano de funcionamento e precisa de uma ação de todos nós para que possa se consolidar forte e de acordo com a importância capital que este setor merece.

É muito preocupante a informação de que sobram vagas e faltam inscritos nos cursos oferecidos pelo Núcleo da Construção Civil do Senai em Bauru. Mais preocupante ainda é a informação de que parte do espaço destinado a esta escola já está sendo destinada a outras áreas, assim como alguns de seus equipamentos que foram destinados a outras escolas.

É preciso entender que, inaugurada em março do ano passado, a Escola da Construção de Bauru ainda dá seus primeiros passos. Portanto, exige uma atuação firme no sentido de se cuidar de sua consolidação.

A mão-de-obra da construção necessita urgentemente se qualificar, para produzir mais e melhor, utilizando cada vez com mais racionalidade os recursos naturais, que são finitos. Sabemos que o crescimento da construção também gera maior produção de resíduos, o que só pode ser revertido com treinamento e qualificação, num dos muitos exemplos que podem ser dados.

Acontece que a construção civil, uma das maiores geradoras de emprego e de renda do país, se recente dos cíclicos problemas, da falta de crédito e da falta e reconhecimento de sua enorme importância econômica. E as crises dos últimos anos impediram que o setor criasse a cultura do treinamento, da educação continuada. O trabalhador da construção ainda não tem esta cultura de se aperfeiçoar, como vemos com profissionais de mecânica, por exemplo, curso com várias décadas de existência e já consolidado no Senai.

Pergunto aos jovens: por que não enveredar pela construção civil como profissão se, em muitas situações, seus salários são maiores do que o dos mecânicos, por exemplo? Pergunto à sociedade: será que os renomados cursos automotivos do Senai já nasciam consolidados? Será que não houve um período natural de maturação, quando ainda dava seus primeiros passos?

O momento exige dedicação e atenção especiais para consolidarmos a Escola da Construção em Bauru. É necessário iniciarmos uma ação que atraia estes alunos, profissionais e empresas para dentro do SENAI. Só assim poderemos, ao longo do tempo, reconhecer o profissional da construção formado pelo Senai com a mesma excelência com que reconhecemos, hoje, aqueles que se formaram pelo Centro Automotivo desta entidade.

O Senai é um excelente gestor da parcela de 1% da folha de pagamento que, compulsoriamente, todas as empresas ligadas à indústria destinam à esta entidade, como é o caso da construção. E esta escola é a retribuição a todo este investimento feito ao longo dos anos. Cabe ao setor assumir seu papel de liderar e se posicionar firmemente nestes primeiros passos da escola. Porque, senão, mais uma vez, seremos tachados de obsoletos, de construirmos arraigados a técnicas passadas, de não termos organização e nem união - só que desta vez com toda a razão. Não vamos deixar isso acontecer, vamos?

O autor, Ralph Ribeiro Júnior, é colaborador de Opinião

Comentários

Comentários