Buenos Aires - O chanceler Celso Amorim afirmou ontem, em Buenos Aires, não ter “preconceito” contra a hipótese de o Brasil ser depositário de urânio enriquecido iraniano desde que esse fosse um pedido feito pela “comunidade internacional”.
A possibilidade de que o Brasil participasse de alguma forma do acerto entre o Irã e as potências do P5+1 (China, Rússia, EUA, Reino Unido, França e Alemanha) para que o país persa enviasse seu urânio pouco enriquecido ao exterior e em troca recebesse o combustível com enriquecimento adequado para fins medicinais foi levantada pelo chanceler iraniano e pelo presidente da agência atômica do país, depois que o presidente Mahmoud Ahmadinejad reacendeu nesta semana a esperança de que haja um acordo sobre o assunto.
Amorim disse “nunca sequer ter comentado” essa hipótese com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que, havendo o pedido, seria necessário estudar se há “condições técnicas” para implementá-la. Amorim descartou completamente, porém, a possibilidade de o Brasil vir a enriquecer o urânio para o Irã. “Pelo que tenho lido, o Brasil, não tecnologicamente, mas industrialmente, não teria condições de produzir essa quantidade que seria necessária.
Rússia x China
Membros do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) vão conversar sobre o Irã, caso o país não aja de forma construtiva na polêmica sobre sua atividade nuclear, anunciou a Rússia ontem, num sinal de endurecimento do governo russo em relação a Teerã. O ministro das Relações Exteriores da China, porém, pediu ao mundo para ser paciente e manter os esforços diplomáticos.