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Viva o porco brasileiro...

Janira Fainer Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

O João Ubaldo que me perdoe, mas não resisti, e o quase plágio do título era realmente o mais adequado para o texto. Ouvi a frase do presidente: “Não se pode deixar de dar comida para um porco porque não gosta do dono do porco.” Fiquei de boca aberta, mesmo sabendo de todas as gafes de sua excelência. Fui ao dicionário. Porco é um substantivo masculino significando o mesmo que cerdo, quadrúpede mamífero da família dos suídeos. Em sentido figurado é adjetivo, qualificando o indivíduo sujo, imundo, torpe, obsceno!

Quase que, universalmente, o porco simboliza a comilança, pois devora tudo o que se lhe apresenta. O porco é a imagem das tendências obscuras, sob todas as formas: da ignorância, da gula, da luxúria, e do egoísmo. Para o filosofo Heráclito, “o porco tira seu prazer da lama e do esterco”, daí a interdição à sua carne por algumas religiões.

Pensei na parábola evangélica das pérolas lançadas aos porcos, imagem das verdades espirituais reveladas aqueles que não tem dignidade de recebê-las e nem capacidade de apreendê-las, ou nas lendas gregas, onde Circe transformava em porcos os homens que a importunavam. “Os donos de porcos” devem estar incomodando muito o nosso amado presidente para que ele se expresse de maneira tão direta sobre a questão. Porque é impressão ou ele classificou a classe política com o adjetivo? Espera aí, o termo foi “dono do porco” estão os porcos somos nós!

Recapitulando: “Nós também não fazemos distinção de que partido é o prefeito ou o governador. Seja de qualquer partido, se ele for governador ou prefeito e seu povo precisa, a gente tem mais que obrigação de fazer,” defendeu Lula, completando: “não se pode deixar de dar comida para um porco porque não gosta do dono do porco.” Parece ambíguo... Mas, é claro como o sol do meio dia, o presidente metamorfoseou o político em dono de porco e o povo no próprio animal. Sim, os porcos somos nós. Puxa o que fiz para ser destratada desse jeito? Nem a carne eu costumo ingerir - justamente - por questões religiosas.

Devo ter entendido errado, não é possível. Afinal, a nova ortografia tornou-me uma semi-analfabeta, o único pensamento que consigo entender é o de Eça de Queiroz, que letrado e inteligente afirmava “os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.”

A autora, Janira Fainer Bastos, é articulista do JC

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