A amazona Ana Paula Zilo, de Lençóis Paulista, conseguiu um feito inédito para o esporte brasileiro: conquistou, no final do ano passado, o título mundial na prova dos Três Tambores. A Barrel Racing World Cup (Copa do Mundo de Três Tambores) foi realizada em Verona, na Itália, durante a Fieracavalli, mais tradicional feira equestre do mundo. Zilo conquistou o título mundial ao lado de André Coelho, já que a competição é disputada em duplas. “Foi a primeira vez que o Brasil ganhou, foi a primeira vez que uma mulher foi representar o Brasil. Foi uma vitória maravilhosa”, comemora Zilo.
Na Copa do Mundo, Zilo e seu parceiro enfrentaram representantes de mais 13 países. Foram três dias de competição, com direito a um descarte de resultado para chegar-se à média e definir a classificação final. Para reforçar o ineditismo da conquista, os brasileiros quebraram a hegemonia dos Estados Unidos na modalidade. Os norte-americanos haviam vencido as quatro Copas do Mundo anteriores. Foi a terceira participação do Brasil no Mundial da modalidade.
Zilo se classificou para representar o Brasil na Itália ao vencer o campeonato da NBHA/Brazil (National Barrel Horse Association). Houve também uma seletiva, realizada em Porto Feliz. “Só os melhores do ano de 2009 iriam representar o Brasil. Eu fui a melhor de 2009 e fui selecionada com o André Coelho, porque esta prova é em conjunto. Deu muito certo. Fomos pela APTB e NBHA/Brazil, presididas por Marcelo Delchiaro”, revela Zilo. Marco Toledo Filho, técnico de Zilo, ressalta que a NBHA é quem regulamenta e chancela as competições de três tambores. “Ela (NBHA) está presente nos 14 países que disputaram a Copa do Mundo. Todo atleta de sucesso é da NBHA”, acrescenta o técnico.
Toledo lembra ainda que a Federação Equestre Internacional (FEI) esteve presente à Copa do Mundo e reconheceu uma competição da modalidade, o que é considerado pelos praticantes um grande passo para a evolução de Três Tambores. “É FEI que habilita as provas nas Olimpíadas. Estiveram lá e pode ser que em 2016 haja uma demonstração de Tambor no Rio de Janeiro”, aponta Toledo. “Foi ótimo, porque foi o Brasil que ganhou”, festeja Zilo, vinculando a vitória na Itália à realização dos Jogos Olímpicos no Brasil em 2016.
Experiência
Zilo pratica Três Tambores há 24 anos, começou ainda criança. A experiência é apontada pela amazona como fundamental nas disputas. “Isso faz muita diferença na pista, principalmente na parte psicológica. O pessoal que está começando ou que tem até dez anos de prática fica nervoso, eu já não tenho mais isso. Você se acostuma, é uma maturidade que você adquire. Eu entro e já sei todos os movimentos que tenho que fazer. Em Três Tambores, um errinho que você comete é meio milésimo que perde. A prova é cronometrada e isso faz diferença”, observa a campeã mundial.
Atualmente, a amazona se prepara no Centro de Treinamento localizado no Rancho Três Meninas, situado na Rodovia Marechal Rondon.
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Prazer em conhecê-lo
Marco Toledo Filho diagnostica uma das principais dificuldades encontrada pelos competidores na Copa do Mundo de Três Tambores: só conheceram os cavalos com os quais iriam competir momentos antes do início das provas. “Nós não levamos nossos cavalos, eles (competidores) tiveram cinco minutos para conhecer o animal. Foi feito um sorteio”, explica.
“Aí que entra a experiência. Eles conheciam os animais cinco minutos antes de montá-los, não podiam usar arreio e nem esporas. São sete grupos de cavalos e o Brasil pegou o mesmo grupo da Itália, que ficou em último. E eles correram em casa. O Brasil pegou os mesmos cavalos e se destacou. Isso é para ver que o diferencial foi a técnica dos brasileiros”, elogia Toledo.
Classificação da Copa do Mundo
1 – Brasil: Ana Paula Zilo e André Coelho
2 – França
3 – Estados Unidos
4 – Espanha
5 – Austrália
6 – Panamá
7 – Polônia
8 – China
9 – Uruguai
10 – Hungria
11 – Alemanha
12 – República Checa
13 – Holanda
14 - Itália