Trazido para o Brasil em 1727, por Francisco de Melo Palheta que levou as mudas ao Pará, o café surgiu na região Sudeste por volta de 1760 e, foi ao longo do Vale do Paraíba, região que abrange terras do Rio de Janeiro e de São Paulo, que o produto se tornou o principal na pauta de exportação brasileira. Hoje, diferente do que se via no século XVIII, a cultura é mantida por produtores que não possuem alternativa para outra atividade agrícola. Na região Centro-Oeste do Estado, o café perdeu espaço para o eucalipto e para a cana-de-açúcar.
Maurício Lima Verde Guimarães, presidente do Sindicato Rural de Bauru e representante dos produtores brasileiros no setor privado da Organização Internacional do Café (OIC), afirma que não conhece nenhum cafeicultor que esteja plantando na região. “Nessa área, os produtores cederam espaço para outras alternativas, abandonaram a cafeicultura e fizeram o arrendamento ou venda das propriedades”, conta.
Apesar do valor pago pela saca de café no mercado internacional ser considerado relativamente bom, a valorização do dólar tem prejudicado os produtores brasileiros, explica Lima Verde. “Deveríamos receber cerca de R$ 320,00 por saca de café, mas o valor pago não passa de R$ 280,00”.
O representante brasileiro conta que, na tentativa de melhorar o mercado interno, o Governo Federal vai comprar, este ano, 10 milhões de sacas pelo valor de aproximadamente R$ 310,00. “Mesmo assim, não há interesse econômica do empresário agrícola investir na cafeicultura. A queixa é sempre a questão do preço. Em alguns estados a produção é inviável no aspecto de ganhos”, explica. “A dificuldade de mão de obra, a descapitalização do produtor, entre outros fatores fez com que o pessoal partisse para outras alternativas. Lugares muito acidentados, como em Piraju ou cidades do Estado de Minas Gerais, o café ainda é importante porque não há outra alternativa”, complementa.
Mundo
O Brasil é o maior produtor de café do mundo – na última safra foram produzidas 40 milhões de sacas –, mas o segundo maior do tipo robusta. Neste caso, o Vietnã, segundo maior produtor mundial, está na frente, com quase 20 milhões de sacas. De acordo com Lima Verde, o país asiático gerou 18 milhões de sacas de café, em 2009, passando a produção da Colômbia. A tendência para os próximos dez anos é dobrar a produção. “Mesmo assim, a Colômbia ainda produz um café com melhor qualidade se comparado ao brasileiro. Consequentemente, o valor da saca vale até R$ 100,00 a mais”, informa o presidente do Sindicato Rural de Bauru.
Na América Central, em 2009 foram produzidas 118 milhões de sacas e consumidas 118 milhões de sacas. O Brasil é o segundo maior consumidor de café (18 milhões de sacas), atrás dos Estados Unidos (21 milhões). “Existe uma estimativa da OIC que até 2010 vai faltar café no mundo. Isso devido aos problemas enfrentados não apenas pelos brasileiros, mas em outros países também”, revela Lima Verde Guimarães.
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Arquitetura de Jaú preserva a história do café
No século XX, Jaú (55 quilômetros de Bauru) se constituiu como um dos principais produtores de café do Brasil. O grão prosperou na cidade com a vinda da família Almeida Prado, de Itu (266 quilômetros de Bauru).
Hoje, a cultura praticamente desapareceu do município, mas deixou como herança a arquitetura. O secretário municipal de Cultura e Turismo de Jaú, André Galvão de França, conta que foi o dinheiro do café que possibilitou a construção das estradas de ferro, a construção de palacetes, custeou a vinda de muitos imigrantes e transformou o município. “Jaú esteve entre as cinco mais importantes cidades do Estado”, afirma.
O sociólogo João Francisco Tidei Lima, professor aposentado da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade do Sagrado Coração (USC), conta que inclusive o futebol de Jaú se beneficiou com o café. “O XV de Jaú foi o terceiro time do interior a subir para a primeira divisão, em 1951. Ele era patrocinado pelos grandes cafeicultores”, revela. “Hoje, o café foi substituído pela cana-de-açúcar, mas restaram ainda a bela arquitetura da cidade. A família Almeida Prado impulsionou a ferrovia na região”, finaliza Lima.