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Em memória de Jânio Quadros

Nilson Costa
| Tempo de leitura: 2 min

Uma carta assinada pela leitora Diva Empke de Oliveira na Tribuna do Leitor, no último dia 2, deu-me ânimo para extravasar manifestação que vinha agasalhando há meses, em defesa da memória do falecido presidente Jânio Quadros.

Diva pergunta: “Por que tiraram o nome da avenida Jânio Quadros para colocar Moussa Tobias, se o nosso aeroporto já homenageia o irmão do deputado Pedro Tobias?” Faço coro com a mencionada leitora e acredito que parcela ponderável da população local e regional pensa da mesma forma.

Não vai aqui nenhum propósito de desrespeitar a memória do industrial Moussa Tobias. Desfrutei de sua amizade, reconheço o papel que ele desempenhou na política e na economia da terrinha. Por ocasião de seu falecimento, decretei luto oficial por três dias, na condição de prefeito, dedicando-lhe as homenagens póstumas de praxe. Também seu irmão Pedro, nosso deputado, faz jus à admiração do eleitorado por seu empenho na defesa dos interesses regionais.

Apesar desse apreço, pergunto se realmente teria sido necessário mudar o nome da avenida, com o qual Bauru tentou eternizar a gratidão, no passado, ao brasileiro ilustre que aqui residiu, exerceu pelo voto quase todos os cargos maiores da estrutura democrática do País. Foi prefeito de São Paulo, deputado, governador e presidente da República. Ao tentar mudar o País, pisando nos calos de políticos do carcomido Congresso Nacional e dos governadores de vários estados, Jânio acabou decretando sua própria queda. Comprovou-se que a máquina dos corruptos coronéis da politicália, eternizada no poder, dificilmente será desalojada por meios pacíficos. Jânio, patriota, bem intencionado, infenso ao arreganhar de dentes da cúpula do coronelato, tombou mas depois retornou ao poder no município de São Paulo.

Quando assumi a prefeitura, em 1999, encontrei a avenida Jânio Quadros incompleta. O prefeito Tidei de Lima iniciou a recuperação da avenida do Oeste, asfaltando a parte alta. Coube-me completar a obra ligando essa via à avenida Nações Unidas. Hoje é uma ligação moderna e importante à rodovia Bauru-Iacanga e atrai para suas margens diversos empreendimentos valiosíssimos.

A Câmara Municipal, a meu ver, agiu de forma incorreta e desleal ao trocar na calada da noite, para surpresa geral, a denominação da avenida Jânio Quadros. A população deveria ter sido consultada.

Talvez seja tempo, ainda, de corrigir o ultraje à memória do matogrossense que honrou o Brasil, São Paulo e especialmente Bauru com suas contribuições democráticas à restauração moral da Pátria.

Com a palavra os atuais vereadores, aos quais pode caber a tarefa de dar a Jânio o ressarcimento moral merecido pelo “homem da vassourinha”.

O autor, Nilson Costa, é ex-prefeito de Bauru

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