“Vou beijar-te agora, não me leve a mal, tudo é carnaval.” E como “a hora é boa pra virar pangaio no meio desse povaréu” e também “as estrelas fazem cordão com a lua lá no céu” e todos “olham a cabeleira do Zezé”, mas tem também para os carecas “é dos carecas que elas gostam mais”.
E com mais de mil palhaços no salão, pierrôs e colombinas e marinheiros e sultões e pachás e havaianos e havaianas e nem sei mais quantas fantasias fantásticas surgem da imaginação e criatividade de foliões dispostos a fazer valer a alegria e a descontração que devem ser sempre a tônica dos carnavais que é para isso que eles existem e nesse contexto tanto bem fazem a todos que a eles se entregam com “muito riso e muita alegria”.
Por três dias, e é pena que seja por tão pouco tempo, esqueçamo-nos das enchentes, do Haiti, dos dólares das meias, cuecas e alentadas bolsas femininas (elas também estão aprendendo a serem corruptas, que pena) e gozemos dessa pausa que faz bem ao corpo e à alma, ajudando-nos a ter no coração apenas a vontade de brincar, beijar, abraçar e olhar carecas, cabeludos, gordos, magros, sem mágoa, sem rancor, sem nenhum tipo de maldade, mas apenas querendo confraternizar na alegria, na música, na dança, vivendo esse gostoso aqui e agora que o carnaval nos proporciona para que arriemos de nossos ombros as cargas do cotidiano cheio de vicissitudes, problemas, às vezes mesmo dores, que, porque isto é carnaval, elas até deixam de doer. Então 2010 desfrutemos o carnaval. Obrigada pela sugestão, dr. Lázaro.
Isolina Bresolin Vianna – ABLetras - cadeira 12