Internacional

Irã começa a enriquecer urânio a 20% em alguns dias, diz ONU

Folhapress
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Nova York - O Irã informou aos inspetores nucleares que começará o enriquecimento avançado de urânio dentro de alguns dias, depois de preparativos feitos desde a última segunda-feira para esse passo à frente em seu programa nuclear, segundo um memorando confidencial da agência nuclear da ONU (Organização das Nações Unidas) obtido pela agência de notícias.

Teerã anunciou anteontem que começara a enriquecer urânio a 20%, mas nota divulgada ontem diz: “Disseram-nos que era esperado que a unidade iria começar a produzir a (urânio) a até 20% em poucos dias.”

A nota do diretor da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), Yukiya Amano, disse que o Irã havia recalibrado 164 centrífugas, uma pequena fração de seus milhares de máquinas de enriquecimento, para o enriquecimento em maior escala, em sua usina-piloto de Natanz.

Amano sugeriu que estava preocupado pela falta de aviso prévio sobre a iniciativa, que as potências ocidentais dizem que eleva suspeitas de que o Irã está visando avançar para o limiar de 90% de enriquecimento, necessário para bombas atômicas - o que é negado por Teerã.

“Na quarta-feira (ontem), quando inspetores da agência chegaram na usina-piloto, foram informados de que o Irã começou a alimentar o urânio pouco enriquecido em uma cascata (rede de centrífugas) na noite anterior para finalidades (de teste)”, diz o memorando.

Um diplomata familiarizado com as operações da AIEA disse à Reuters que a agência deveria ter sido alertada anteriormente.

“É uma tendência alarmante que só pode piorar. Parece que o confronto (com o Ocidente) vai crescer”, disse o diplomata.

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EUA reforçam sanções unilaterais

Washington - Os EUA já definiram os contornos da resolução que será submetida ao Conselho de Segurança da ONU para impor novas sanções ao Irã. Mas, antecipando-se a possibilidade de a China usar seu poder de veto contra o texto, a Casa Branca decretou ontem novas punições unilaterais a Teerã.

Segundo o Departamento do Tesouro, as medidas visam fechar o cerco contra a Guarda Revolucionária, pedra angular da República Islâmica, acusada pelos EUA de financiar o terrorismo e desenvolver armas de destruição em massa - alusão ao programa nuclear que o Irã nega ter fins bélicos.

As novas punições têm como alvo quatro subsidiárias da Khatam al Anbiya, megaempreiteira usada como braço de construção e engenharia da Guarda Revolucionária -facção de 100 mil homens que ampara o regime nas esferas militar, ideológica e econômica.

A moção de ontem reforça a proibição (adotada em 2007 sob George W. Bush) de transações dessas empresas nos EUA e o congelamento de quaisquer ativos que tenham sob jurisdição americana. O diretor da Khatam al Anbyia, general Rostam Qasemi, também é visado pelas sanções.

Os EUA alegam que a rede de Qasemi usa sua ampla atuação no Irã - construção de estradas, túneis, projetos agrícolas, gestão do aeroporto de Teerã- e contatos no exterior para arrecadar fundos para supostos interesses bélicos iranianos.

As sanções somam-se a uma lista de medidas unilaterais decretadas desde 1980, quando Irã e EUA romperam relações depois que militantes iranianos, em represália ao asilo dado pela Casa Branca ao xá deposto, tomaram 52 reféns na embaixada americana em Teerã. O sequestro durou 444 dias.

Céticos dizem que as medidas são inócuas, já que membros do regime iraniano geralmente não buscam viajar aos EUA nem fazer contatos com empresas americanas.

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