Era agosto de 2009... Lá estávamos nós novamente, na aconchegante e gostosa Porto Morrinhos, banhada pelo lendário rio Paraguai. Foi uma pescaria de poucos peixes, muito embora empolgante, ocorrida em meio a paisagens inesquecíveis e cinematográficas!
Falando em cinema, podemos comparar nossa pesca ao belo filme do diretor Steven Soderbergh, rodado em 2004 (EUA), “ Doze homens e outro segredo“. O nosso filme foi chamado de “Doze homens e outra pescaria”.
Se no primeiro havia os galãs Brad Pitt e George Clooney, em nossa doméstica película pantaneira apareceram os galãs Niltinho e Tadeu (juro que não é uma dupla sertaneja), pescadores dotados de um charme irresistível! Mas o elenco todo aparece na foto abaixo, numa parada no “set” das filmagens, lá na pequenina Água Clara (MS).
No sentido horário da foto, temos o Delton, grande piloteiro; o Dado, um baita cozinheiro; o mestre Cirilo, rei da caipirinha; Cabral, o gerente; Toninho da Água, nosso guia; João, neófito em pescaria; Faustão, o piloteiro-chefe; Niltinho, grande ator e encantador de peixes; o simpático Tadeu, mestre de cerimônias; o Maurício, nosso popular guarda-livros ; Marcelinho, conhecido como curva-de-rio e, fechando a comitiva, eu, eterno aprendiz de pescador, Fernandinho da timba. Infelizmente, o último integrante do elenco não aparece na foto, o nosso querido Xexa, grande pescador e goleiro dos bons, pois foi ele – tal qual o fotógrafo japonês que não saiu na Santa Ceia - quem bateu a foto.
O grande resultado desta pesca não foram os peixes (quase raros) mas sim a grande quantidade de campari, vodca, cerveja, uísque e adjacências, consumida em meio a uma maravilhosa e inesquecível tertúlia entre verdadeiros amigos!
A pescaria aproxima e une o ser humano; é uma questão de escama, digo, de pele. O peixe é um mero detalhe... Porém, se não fisgamos bons exemplares, pudemos apreciar um entardecer “dourado“ no deslumbrante crepúsculo pantaneiro. A natureza havia “pintado“ um quadro maravilhoso e “traíra“ nossos olhos, fazendo-nos pensar que estávamos no paraíso!
Tudo se em “cachara” perfeitamente. Diante de tal beleza, nós, “barbados“, viramos crianças! Esquecemos completamente das “ piranhas“ que, se fisgadas, dariam um bom caldo. E nossa turma era toda de Bauru. Não havia ninguém de “Jaú”.
E na mata densa que emoldura o gigante rio Paraguai, o belo e mavioso arancuã “piava” sem parar, completando o espetáculo. Para quem não conhece essa ave pantaneira, seu canto não é bem um piar, mas sim um som gutural peculiar, estridente, repetitivo e rouco, que chega a agredir nossos ouvidos, tamanha é a sua vibração.
E a maior gozação de nossa pescaria foi criar uma onomatopeia, imitando o som emitido pelo pássaro. Assim, quando um de nós “enchia o saco” dos demais, deixando aparecer sua porção “mala”, era feita a pergunta: - O que é que eu faço com o Tadeu ou com o Cirilo ou com o Dado?
E vinha a resposta imitando o pássaro: - Manda matá, manda matá, manda matá! Infelizmente, só que já ouviu o Arancuã cantar (ou gritar) é que poderá assimilar melhor esta brincadeira, comparando os sons que são muito parecidos.
De qualquer maneira, foi muito divertido. Aliás, a ansiedade transborda em nossa mente, só em pensar que agora em 2010 por lá estaremos de volta e , Deus queira, com todo esse pessoal fantástico!
Fernando Lucilha Jr. é pescador e contador de “histórias”.