Bairros

Ossos ficam expostos durante obras

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

A reforma da área assistencial do Cemitério Redentor provocou uma situação, no mínimo, constrangedora para a população e aos responsáveis pela necrópole. Provavelmente em razão de um trabalho de adequação dos jazigos iniciado recentemente, ossos humanos ficaram expostos sobre a terra, visíveis para qualquer visitante que estivesse por perto. A situação causou revolta dos familiares e amigos de pessoas falecidas que passam pelo local para prestar homenagens e culminou em uma denúncia que levou o caso a público.

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), órgão que administra a necrópole, afirma ter recebido a notícia com surpresa e adianta que um processo de sindicância já foi instaurado para apurar a irregularidade. De acordo com o diretor de limpeza pública Ewerton Mussi Hunzieker, ainda não há explicações para o que possa ter ocorrido.

“Para a Emdurb, aquela área constava como exumada. Em 27 de janeiro uma máquina realizou um serviço de escavação e, naquele dia, nada foi encontrado. Até o momento, não sabemos porque aqueles ossos ainda estavam lá, mas isso será investigado por pessoas que não estão diretamente ligadas ao cemitério para dar maior confiabilidade”, destaca.

O diretor explica que a área assistencial do cemitério - que está sendo reduzida para atender uma nova legislação - era utilizada para que famílias de baixa renda enterrassem, pelo período máximo de três anos, seus entes. Passado este prazo, os parentes tinham de transferir a ossada para um jazigo particular. Caso contrário, os restos mortais eram exumados, ensacados e destinados a um ossário comunitário.

Com a reforma, que obedece ao decreto municipal número 11.074, de 12 de novembro de 2009, parte desta área assistencial será substituída por jazigos particulares. O objetivo, segundo Hunzieker, é atender as normas estabelecidas para evitar a contaminação do solo com necrochorume.

“Antigamente, os sepultamentos eram feitos diretamente na terra, mas hoje só podem ser realizados se o espaço destinado ao sepultamento contar com proteção de placas de cimento. É essa adequação que estamos providenciando”, esclarece.

A partir desta mudança, o atendimento assistencial será prestado em columbários que ficarão concentrados no Cemitério Cristo Rei e apenas uma pequena parte n|o Redentor será reservada para atender famílias de baixa renda, especificamente para os casos que demandem covas com tamanho maior que o padrão. Já na área da reforma, serão feitos jazigos particulares com duas gavetas, que passarão a ser comercializadas.

Embora a Emdurb ainda esteja investigando as circunstâncias em que o surgimento da ossada fora das valas ocorreu, o chefe de funerária do órgão, Caio Moura Souza Curaçá, acredita que o processo de exumação de corpos com mais de três anos de decomposição possa ter falhado. Segundo ele, a placa de identificação de uma ou outra cova pode ter sido furtada ou levada pela chuva e, no momento da retirada dos ossos, ocorrido dúvidas quanto a sua exata localização.

“Alguns sepultamentos mais antigos ficaram sem a tarjeta de demarcação e, na hora de abrir a cova, pode ser que o funcionário tenha buscado na direção errada e a ossada não tenha sido encontrada. Foi quando a máquina cavou a área inteira e descobriu o que estava perdido. Mas agora a precaução será redobrada e esta situação não irá mais acontecer”, avalia.

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Visitantes ficam indignados

Familiares e amigos de pessoas que foram sepultadas no Cemitério do Redentor ficaram indignados com a notícia de que ossos foram localizados fora das covas da área assistencial da necrópole. A dona de casa Roseli Alves conta que vários de seus parentes jazem na área privada e, além do medo de que algo semelhante possa acontecer também neste espaço, ela se diz solidária com a dor de quem perdeu a referência para homenagear seus entes.

“É uma injustiça e tanto. Só porque a família não teve condições financeiras de enterrar seu parente, não precisa ser tratada com tamanho desrespeito. Nada pode justificar o esquecimento de ossos no meio da terra”, frisa.

O aposentado José Corimbaba demonstrou o mesmo descontentamento. Ontem, assim como Roseli, ele foi ao cemitério para visitar o jazigo de um conhecido e afirmou esperar que a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) determine medidas para que episódios como este não mais aconteçam. “Como órgão do município, a Emdurb precisa coibir este tipo de erro. Cada cova dessa tem um ente querido e é preciso ter mais cuidado”, frisa.

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