Bairros

No calor, consumo de água sobe 25%

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Desde o começo do mês, os termômetros tem batido 30 graus com frequência. O calor está insuportável. E a melhor maneira de se refrescar é com água. Muita água. Nos dias quentes, os reservatórios do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru, que costumam permanecer cheios, chegam a baixar até 25% de seu volume. E o consumo individual diário - que inclui banho, limpeza da casa, entre outras necessidades - salta de 200 litros por morador para 250 litros. E o comércio de água mineral é beneficiado com o calor. De acordo com o dono de uma das mais antigas distribuidoras do produto da cidade, as vendas de galões chegam a aumentar 50% no verão.

Encher a piscina de plástico, tomar banhos extras, lavar o carro com mais frequência... No calor, ninguém resiste a abrir a torneira. O resultado é maior consumo. Segundo o DAE, o volume de água nos reservatórios chega a cair 25% quando deveriam estar cheios, um indicativo de aumento do consumo. Mas o fornecimento não foi comprometido. As chuvas dos últimos dias ajudaram a manter os reservatórios com o nível necessário para abastecer toda a cidade.

A empregada doméstica Sidnéia Margarete de Souza, 38 anos, confirma que o consumo de água aumenta em sua casa nos dias quentes. “A gente acaba tomando mais banhos durante o verão e aí, vai mais água. Também costumo lavar mais a casa, para dar uma refrescada”, diz. A assistente de serviço social Maísa Liziero, 26 anos, conta que também gasta mais água. “Acabo tomando mais banho, para espantar o calor. Além disso, gastamos água para encher a piscina”, diz.

Se o consumo de água aumenta, a conta também vem maior no final do mês. De acordo com o DAE, em meses mais quentes, como dezembro, janeiro e fevereiro, a arrecadação da autarquia chega a ser 6% maior que em épocas de temperaturas mais amenas. Porém, o consumo poderia ser ainda maior. É que as férias escolares contribuem para a queda de consumo de escolas, por exemplo. Além disso, muita gente viaja, deixando de consumir a água tratada de Bauru.

Mineral

E não é só o consumo de água tratada que aumenta. A venda de água mineral também dispara com o calor. De acordo com Carlos José Freitas, proprietário de uma das mais antigas distribuidoras de água da cidade, a procura chega a aumentar 50%. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Água Mineral (Abinam), o consumo médio per capta no País é de 37,5 litros por ano. Em São Paulo, o consumo individual anual chega a dobrar.

A temperatura é fator fundamental no aumento das vendas. De acordo com o empresário, durante o ano o consumo se mantém estável. Porém, é só o calor bater que a sede chega. “Em fevereiro, vendemos 50% mais do que novembro do ano passado, que foi nosso melhor mês do ano”, observa Freitas.

Ele avalia que nos últimos anos, a procura por água mineral vem aumentando. “Hoje o consumo é mais comum do que há dois, três anos. O bauruense prefere beber água mineral”, diz. Porém, Freitas pondera que ainda há a questão econômica. “Muita gente gostaria de comprar água, mas não tem recurso para fazer isso sempre. O dinheiro é destinado para outros itens”, avalia.

Mas ele destaca que ainda há espaço para o setor crescer. O empresário estima que são comercializados em Bauru cerca de 50 mil garrafões de 20 litros todos os meses pelas distribuidoras que atuam na cidade. Se cada família fosse composta por quatro pessoas e comprasse um garrafão por semana, ele avalia que a procura poderia ser o dobro.

Freitas ressalta que os clientes que costumam comprar água mineral são fiéis às marcas. “O que procuram é qualidade. Muitas pessoas trocam de fornecedor quando ele deixa de vender a marca que preferem”, pontua. Ele aproveita para lembrar que os vasilhames de 20 litros possuem data de validade. Eles são próprios para uso durante três anos. Ou seja, um garrafão fabricado em 2010 vai poder circular e ser reabastecido até 2012.

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Produção

A Associação Brasileira das Indústrias de Água Mineral (Abinam) informa que tem registrado crescimento no consumo em porcentagens diferenciadas nas diversas regiões do País. Na região do Rio de Janeiro, por exemplo, o aumento de consumo é de quase 100%. Na região de Porto Alegre, 60%. Já em São Paulo, 30%. A média nacional de crescimento nos meses de dezembro e janeiro de 2009 ficou em torno de 45% .

Estatisticamente, o verão responde por 40% da produção e consumo de água mineral no País. Em 2009, a produção foi de 7,8 bilhões de litros - os números ainda não estão fechados. Em 2008, 7,5 bilhões. Com base nos números de 2008 e 2009, a associação estima que, se o verão 2009/2010 continuar dessa forma, o aumento de consumo nos quatro meses da estação será entre 1,3 a 1,5 bilhão de litros.

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