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Assentada com R$ 800 mil na conta presta depoimento ao MPF


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Ourinhos - O Ministério Público Federal (MPF) em Ourinhos (120 quilômetros de Bauru) tomou ontem o depoimento da assentada do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Iaras, Zildenice Ferreira dos Santos, que afirma ter descoberto que tem quase R$ 800 mil em sua conta na Caixa Econômica Federal (CEF). A advogada da assentada acredita que ela poderia estar sendo usada como “laranja” de um possível esquema de desvio de dinheiro envolvendo uma cooperativa do Movimento dos Sem-Terra (MST). Zildenice contou que foi uma das procuradoras de um programa habitacional da CEF para o assentamento, mas deixou a função em 2008. A conta, no entanto, continuou a ser movimentada em seu nome.

O procurador da República Svamer Adriano Cordeiro informou que vai requisitar informações do Incra e prosseguirá com a apuração.

Sobre a denúncia da assentada, o superintendente do Incra em São Paulo, Raimundo Pires da Silva, esclareceu em nota que nenhuma cooperativa faz parte do programa de moradia rural desenvolvido no Zumbi dos Palmares, através de convênio entre o órgão e CEF. A conta aberta no banco é de um grupo de assentados que faz parte desse programa, representado por três procuradores. Ele nega desvios de verba.

Segundo Raimundo, a assentada Zildenice foi uma das representantes do grupo de moradia rural do assentamento, porém, em julho de 2008 solicitou sua substituição à Caixa, sendo eleita uma nova procuradora. Em outubro do mesmo ano, o Incra enviou ofício à Caixa solicitando a troca de procurador. “Portanto, não há que se falar em desconhecimento de informações ou uso indevido de nome, nem desvios.” Segundo Pires, as casas estão em construção.

Extração de pinus

A Polícia Federal em Marília abriu inquéritos para apurar a extração indevida de madeira no assentamento em Iaras, tanto por particulares quanto por meio de um convênio celebrado entre o Incra e a Cooperativa de Assentados do Projeto de Assentamento Zumbi dos Palmares (Cocafi), ligada ao MST. Um dos inquéritos foi aberto a pedido do Incra, que noticiou incêndios criminosos na área.

O MPF em Ourinhos é o responsável por ação civil pública que pede a nulidade de convênio assinado entre o Incra e a Cocafi, que permitiu que a cooperativa derrubasse e vendesse parte de um cultivo de pinus em propriedade federal.

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