Tribuna do Leitor

...BOM SUJEITO NÃO É...


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“Quem não gosta de samba, bom sujeito não é ou é ruim da cabeça ou é doente no pé”. Este famoso refrão retratava uma situação que não existe mais, primeiro por que o samba como estilo musical, antes poderoso símbolo da brasilidade, com compositores e poetas como Cartola, Pixinguinha e o paulista Adoniram, hoje agoniza no seu descendente bastardo, o “pagode”, de no mínimo gosto discutível. Melhor sorte não teve o contexto da música, do morro carioca ao bexiga paulista, antes poéticos e folclóricos e hoje marginalizados pelos demais núcleos sociais e símbolo de trafico, violência e pelo lado da “lei” de corrupção e truculência. Em Bauru, os mais idosos falam dos carnavais de outrora como uma festa popular onde a alegria seria espontânea, com o desfile do corso na Batista e alegres festas nos salões. Embora já animados por álcool e pelo proscrito lança-perfume. Hoje as escolas de Samba na sua maioria se tornaram high business e os lugares são vendidos a socialites ou a “empresários” de “modelos” candidatas a capa de revista pornográfica com direito até a carro alegórico patrocinado. Deixando suas populações como mero coadjuvantes.

Toda 4ª feira de cinzas o noticiário fica repleto do rescaldo do carnaval, número de mortos em acidentes nas estradas e cidades, acidentes em grande parte provocados por excesso em álcool e drogas, e ainda gravidez de adolescentes, violência com roubos e mortes. Em Bauru, a festa “popular” só existe se adubada por verbas publicas, investindo recursos que faltam para saúde, educação e segurança, sem retorno real para a o cidadão e a sociedade. A quem fale que isto incentivaria o turismo, que convenhamos se existiu em Bauru um dia foi mínimo e desproporcional aos recursos empregados. Neste caso, melhor caminho seria aplicar no turismo religioso encontros espirituais de católicos e evangélicos, estes sim com saldo positivo de visitantes para a cidade e mais próximos de sua natural vocação. Neste século XXI é tempo de rever conceitos e paradigmas do bom sujeito, separando o samba no pé, daquilo que é ruim para a cabeça e para o espírito.

Márcio M. Carvalho

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