Depois dos passistas que desfilaram pelo Sambódromo de Bauru nos dias 24 e 25 de fevereiro de 2001, a avenida ficou em silêncio. Esse foi o ano em que a cidade conseguiu dar seu último suspiro, um tanto desafinado, como referência no Carnaval da região.
Na ocasião, era fácil notar que o desfile já não possuía todo o glamour dos anos de ouro da folia bauruense, mas seis escolas de samba e 14 blocos carnavalescos resistiram e celebraram o que seria a despedida da festa popular no Sambódromo.
O desfile manteve sua pose e beleza, mas perdeu em harmonia com a falta de alegria e energia. O baixo número de foliões acompanhando o que, até então, era imperdível não tinha como ser disfarçado. Apenas 2 mil pessoas aproveitaram o Carnaval de rua no primeiro dia e 3 mil no segundo. Talvez fosse diferente se soubessem que aquele seria o “tchau” para a tradição da folia em Bauru.
O Sambódromo foi silenciado. Nenhum passo, tamborim, cavaco ou voz seria escutado pela passarela do samba bauruense, avenida que foi a segunda inaugurada no Brasil com a finalidade de implementar a festa mais popular brasileira.
A alegria e espontaneidade dos blocos carnavalescos e toda beleza e capricho das escolas de samba, com o tempo, deram espaço ao lixo espalhado por todo o Sambódromo, ao vandalismo que depredava cada vez mais a estrutura da avenida, aos “rachas” disputados entre carros e ao consumo de drogas e bebidas, contrastando um local que era repleto por ritmos e harmonia com algo que se tornou propício à marginalidade e ao esquecimento. O batuque afinado e as risadas desregradas deram lugar a um barulho estridente que tirava todo o charme do local.