Bairros

Nerds encaram folia com ‘batalhas’ virtuais

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Passar quatro dias pulando de clube em clube, no ritmo do pandeiro, em meio a confetes e serpentinas, é compromisso inadiável na agenda de muitos bauruenses, mas há também aqueles que preferem passar longe da folia do Momo e usam de muita criatividade para preencher as 96 horas de folga que marcam o mês de fevereiro.

A proposta de passar um Carnaval hightech, recheado de campeonatos de games e batalhas virtuais é uma opção que está mobilizando parte dos bauruenses, especialmente os que pretendem se desconectar da ‘barulheira’ das escolas de samba e passar um Carnaval animado, sem gastar muito.

As dicas para o chamado ‘Carnaval de nerd’ pululam na Internet e prometem agradar todos os gostos. Entre as opções, aproveitar o feriado prolongado para promover um campeonato de games certamente é a que tem atraído mais adeptos.

Pedro Moreira da Silva Junior, 22 anos, Wellington Reina Barbieri, 22 anos, e mais alguns amigos do local onde trabalham aderiram à proposta e planejaram uma reunião no Carnaval para realizar uma maratona de disputas.

“Nós não curtimos muito os bailes de Carnaval promovidos nos clubes e bares da cidade e não vamos viajar porque temos de trabalhar na segunda-feira, então, nada melhor do que passar os dias de folga entre amigos, fazendo o que gostamos”, justifica Pedro, que ressalta que até mesmo as respectivas namoradas não ficam de fora da competição.

Mas Pedro alerta que para o campeonato dar certo é preciso organização. “Antes de dar início aos jogos é preciso decidir o que vamos comer, e é claro que o local precisa oferecer o serviço de delivery, para que não tenhamos de interromper a batalha para procurar comida”, brinca.

Os jogos esportivos do Nintendo Wii e o famoso Guitar Hero são os prediletos do grupo e estão inclusos no esquema da disputa. “Sempre tem uma competição natural para ver quem é o melhor. O Carnaval será a prova de fogo”, completa Wellington.

E se engana quem pensa que o programa funciona apenas quando existe um grupo real de amigos disposto a participar da competição. O advogado Paulo Rogério Damasceno, 32 anos, prova que também é possível se divertir sozinho. Ele comprou um videogame Playstation 3 recentemente e já encontrou companheiros virtuais para a disputa carnavalesca.

“Este equipamento permite que você desafie pessoas de qualquer parte do mundo, então não é necessário que você tenha um círculo de amigos do local onde você mora para poder jogar”, explica Paulo.

A gravidez da mulher e o fato dele não gostar de Carnaval foram os motivos que o levaram a optar por permanecer em casa durante os dias de folia. “Melhor assim. Faz pouco tempo que eu comprei o videogame e ainda tenho aquela ânsia de jogar pelo menos um pouco todo dia. Quer programa melhor para um feriado como este?”, questiona.

A proposta de Carnaval hightech envolve, ainda, aproveitar os dias de descaso para fazer uma faxina virtual. Organizar os arquivos do computador, apagar programas que há tempos estão sem uso e que ocupam boa parte da memória da máquina, baixar novas músicas e atualizar as informações nos sites de relacionamentos como Orkut, blogs, Twitter e Facebook podem completar a programação da festa tecnológica do Momo.

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