A baurense Sônia Rocha Pereira Lima, 65 anos, garante que nunca quis participar de nenhum concurso de beleza na juventude. Mas no ano passado, por insistência dos amigos, foi disputar a faixa de Miss Melhor Idade da Capital. “Deu zebra e eu ganhei”, se diverte. O resultado se repetiu na etapa estadual e, no mês que vem, a bauruense vai representar todo o Estado na disputa nacional. “Se der zebra de novo, eu ligo contando”, brinca.
Ela relata que em Bauru estudou no então 4.º Grupo Escolar, o Eduardo Velho Filho. Em seguida, cursou o antigo Instituto Educacional Ernesto Monte. Depois de passar toda a juventude em Bauru, seguiu para a Capital, onde fez administração e economia na Faculdade Santana. Em São Paulo, conheceu o marido Mário Ferreira de Lima, um de seus grandes incentivadores.
Após morar nos Estados Unidos e também na França, o casal se estabeleceu na Penha, bairro da zona leste da Capital. Sônia conta que começou a frequentar o Grupo Nossa Senhora da Boa Esperança e, no ano retrasado, foi convidada para participar do concurso Miss Melhor Idade, da Capital. “No ginásio, fugia desse tipo de concurso como o diabo foge da cruz. Não aceitei”, diz.
No ano passado, os membros do grupo resolveram o problema. Mandaram a inscrição de Sônia sem ela saber. “Eles insistiram e eu neguei. Não apareci no grupo naquela semana. Na segunda-feira seguinte disseram que já tinham mandado todos os meus dados”, conta. Sem escolha, decidiu participar. “Resolvi que iria desfilar de uma vez, para eles sossegarem e não aparecerem mais com essa ideia”, conta.
E no dia 14 de abril, foi até a sede social do Clube Juventus disputar a coroa e a faixa. “Quando me chamaram entre as 10 colocadas, já senti que estava no lucro. Deu zebra e eu ganhei”, diz brincando.
Ela se classificou para disputar a etapa estadual do concurso da Associação Brasileira dos Clubes da Melhor Idade (ABCMI). O concurso foi em outubro, no Memorial da América Latina.
“Tinha representantes de 30 cidades. As torcidas estavam muito animadas, tinha caravana com camisetas, confete, buzina. As mulheres estavam lindas e deu zebra de novo”, se diverte. “Quando ela ganhou, todo mundo pulou de alegria. Eu chorei de emoção. Estava mais nervosa que ela”, diz Célia Pereira Fahl, irmã da miss.
Em março, Sônia vai a Campo Grande (MS) disputar o título nacional, em data ainda a ser definida.
Além da família em Bauru, Sônia conta que tem muitas amigas na cidade. Uma vez por ano o grupo se reúne para matar as saudades. Agora, também vão torcer por ela na disputa do pelo título de Miss Brasil Melhor Idade. “Ela e o marido sempre gostaram de festejar, eram verdadeiros foliões no Carnaval”, conta a amiga Adélia Maria Conti.
Para a etapa nacional, Sônia garante que está tranquila, como das outras vezes. “Não fico nervosa, vou numa boa. Na etapa estadual, falei para as candidatas que todas já eram misses, estávamos na mesma barca”, conta. Agora que Sônia é a representante estadual, sua agenda está complicada. “A responsabilidade é muito grande, você tem o compromisso de sempre estar elegante”, diz.
Ela conta que cumpre os deveres de miss com alegria, já que não costuma perder festejos. No domingo retrasado, participou da tradicional Folia na Faria, que este ano foi comemorada na Estação da Luz, em São Paulo. “Fui na frente, puxando o bloco, que homenageou os 50 anos de carreira do Jair Rodrigues. E ele apareceu no desfile”, diz.
Para ela, representar a melhor idade paulista vale a pena. “O velho é aquele que só fala do passado, doença e remédio. O idoso, não. Ele se diverte, aprende, faz planos para o futuro. A idade está na cabeça”, diz.