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Eliminar mazelas políticas

Irineu Azevedo Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

O País avança, apesar das falcatruas. Como dizem alguns, ele não despenca no abismo por ser maior do que este. A natureza acomodatícia de nosso povo, cordial para alguns sociólogos, mas inequivocamente despreparado educacionalmente para escolher bem seus representantes, faz com que a corrupção política desenvolva sem incidentes. E o mais grave: corruptos considerados de alto gabarito social dificilmente são punidos.

Feito esse intróito, que quase ninguém contestará, pois esse assunto está sempre na mídia, vejamos algumas situações que poderiam melhorar o País como um todo.

O primeiro passo, evidentemente, tal como acontece em países que rapidamente saíram de suas dificuldades e encontraram o desenvolvimento sustentável, seria a adoção de uma educação de qualidade, destinada à formação crítica e profissional das pessoas. Hoje, basta o indivíduo desenhar o nome para ser considerado alfabetizado. É muito pouco. Ensino de qualidade é o caminho.

A escolha seletiva dos senadores e deputados poderia ser outra. Não foi o atual presidente da República que divulgou, quando deputado federal, a sua convivência com 300 picaretas, numa alusão a diversos representantes do Congresso Nacional? Pois bem! Ele, no poder, para conseguir governar, depende também desses picaretas e com eles têm de negociar, no péssimo sentido do termo, pois a negociação política entre situação e oposição, para atingir objetivos comuns que atendam a todos, é salutar. O aprimoramento na escolha desses congressistas presumivelmente está vinculado à melhora do ensino, quando o cidadão criticamente poderá votar naqueles que o representará com maior critério de análise, expurgando assim parte dos maus políticos.

Se Lula não negociasse com o Parlamento, dificilmente avançaria em seus propósitos governamentais. Collor não negociou e por corrupção menos evidente do que a atual foi cassado. Jânio Quadros, por mais que aludem a sua atitude golpista, quando percebeu que não conseguiria governar sem ceder ao Congresso, renunciou à Presidência.

Congresso atuante, legislando menos preocupado com resultados pessoais, eliminaria, por exemplo, a malfadada medida provisória, instituto estranho ao sistema presidencialista. Ela transformou o Executivo como o legislador maior do País. E este não tem pudor de dela lançar mão. Assim mesmo, estas, para tramitarem sem percalços, exigem esforços incomuns do governo, nem sempre condizentes com o relacionamento que deve existir entre os Poderes. E em seu texto, às vezes, são inseridas armadilhas que, democraticamente, teriam dificuldades de serem aprovadas.

Expurgar do Senado Federal os biônicos é outra necessidade. Antigamente, o suplente do senador era o segundo mais votado e assim sucessivamente. Mas todos recebiam o aval do voto. Foram os militares no poder que criaram a figura biônica, aperfeiçoada em 1988. Hoje, alguns senadores escolhem como suplentes comprometidos com a corrupção reinante ou, ainda, pessoas que estão sendo investigadas por improbidade administrativa. Depois, o que foi votado assume um ministério ou outro órgão público, deixando campo livre para o biônico deslanchar naquilo a que se propôs. Eliminar o senador biônico será também um passo adiante para a moralização política. E a prática do nepotismo, pai escolhendo filho ou parente próximo para ser seu suplente, tem também que ser proibida, por ser imoral. Vamos começar, melhorando a educação?

O autor, Irineu Azevedo Bastos, é membro da Academia Bauruense de Letras

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